Papa elogia política da Itália na gestão na crise migratória

AVIÃO PAPAL, 11 SET (ANSA) - O papa Francisco elogiou a política do governo italiano para gerir a crise migratória que atingiu o país e, em especial, os acordos firmados com a Líbia para conter o fluxo de pessoas que chegam pelo Mar Mediterrâneo.   

As afirmações foram dadas durante a viagem de volta do Pontífice de sua visita à Colômbia nesta segunda-feira (11).   

"Um governo deve gerir esse problema com a virtude própria de um governante, que é a prudência. O que isso significa? Primeiro: quantos lugares eu tenho. Segundo: não apenas preciso receber, mas integrar", disse respondendo aos jornalistas que o acompanhavam na viagem.   

Recentemente, o governo italiano fechou uma série de acordos bilaterais com o governo de unidade líbio para tentar controlar o fluxo de imigrantes que tentam a travessia no Mar Mediterrâneo. A parceria inclui desde o envio de ajuda humanitária até o patrulhamento conjunto de águas líbias e o treinamento de militares e da Guarda Costeira.   

O acordo foi muito criticado por ONGs que atuam na região, pois impôs uma espécie de "código de conduta" para elas, e também pela oposição líbia - onde o general Khalifa Haftar, líder do grupo que se opõem ao premier Fayez al-Sarraj, ameaçou atacar os navios italianos.   

No entanto, as Nações Unidas aprovaram os acordos e a União Europeia também, ajudando os italianos nas negociações com os países europeus- além de demonstrar a intenção de apoiar financeiramente a ideia.   

Na prática, a medida conseguiu reduzir o número de deslocados que arriscam a vida na travessia pelo Mediterrâneo.   

Ao ser questionado sobre a situação que essas pessoas vivem no país no norte da Árica, Jorge Mario Bergoglio afirmou que tem a "impressão de que o governo italiano está fazendo de tudo, por trabalho humanitário, para resolver também os problemas que não pode assumir".   

"Eu sinto o dever da gratidão pela Itália e pela Grécia porque elas abriram seus corações para os imigrantes. Mas, não basta abrir só o coração. O problema dos imigrantes é, primeiro, um coração aberto, sempre, também por uma determinação de Deus, de receber, porque 'você foi escravo', imigrante, no Egito", acrescentou.   

De acordo com o líder católico, a Itália "teve exemplos de integração belíssimos".   

"Quando fui para a Universidade Roma Ter, quatro estudantes me fizeram perguntas. Uma, a última, eu a olhava e pensava 'conheço esse rosto de algum lugar'. Era uma jovem que, menos de um ano antes, veio de Lesbos comigo no avião, aprendeu a língua, estudava biologia na sua pátria, fez a equiparação e agora continua. Isso se chama integrar", relatou Francisco mencionando a viagem que fez à ilha grega e das famílias que trouxe para morar no Vaticano.   

"Em um outro voo, quando voltávamos da Suécia, falei da política de integração daquele país como um modelo. Mas, também a Suécia pediu prudência. O número é esse, mais não podemos, porque há o risco do excesso", disse lembrando da visita que fez àquele país em novembro do ano passado.   

Assim como a Itália, a Grécia é uma das principais portas de entrada dos imigrantes ilegais pelo Mediterrâneo. Ambos os países receberam quase que a totalidade das milhões de pessoas que chegaram ao continente europeu nos últimos cinco anos Seguindo com sua reflexão sobre a questão, o sucessor de Bento XVI lembrou do "problema humanitário" causados por essa migração em massa e da situação na África.   

"A humanidade está conhecendo os lagers [campos de concentração], das condições na Líbia, no deserto.. vi as fotografias dos traficantes [...] Ainda há uma coisa que quero dizer e que vale sobretudo para a África", destacou.   

"Há um lema no nosso inconsciente coletivo, um princípio: a África será explorada. Um chefe de governo disse uma bela verdade: aqueles que fogem de uma guerra, é um outro problema; mas muitos fogem da fome, então vamos fazer investimentos para que eles possam ficar ali. Mas, no inconsciente coletivo ocorre que, muitas vezes, os países desenvolvidos vão à África para explorar. Precisamos inverter isso. A África é amiga e deve ser ajudada a crescer", finalizou. (ANSA)
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