Antes de Bento XVI, outro Papa também pensou em renúncia

ROMA, 14 SET (ANSA) - O papa Bento XVI entrou para a história em 2013 como o único líder a renunciar ao mais alto posto da hierarquia católica desde 1415. No entanto, de acordo com uma reportagem do jornal "La Stampa", essa mesma ideia passara pela cabeça do papa Paulo VI cerca de 40 anos antes. A informação foi divulgada pelo cardeal Giovanni Battista Re, prefeito emérito da Congregação para os Bispos e vice-decano do colégio de cardeais. Paulo VI, que foi Papa entre os anos de 1963 e 1978, chegou a escrever e assinar duas cartas de renúncia, pois temia que pudesse sofrer algum incidente ou doença que o deixaria inconsciente ou incapaz. Por isso, decidiu se prevenir e aprontar os documentos, evitando que a Igreja Católica ficasse "paralisada". "Quem me mostrou as cartas foi o papa João Paulo II", confessou o cardeal, em uma entrevista à imprensa italiana. "Eram duas cartas escritas de próprio punho. Não me lembro exatamente a data, mas não eram do último período de vida do Papa. Parece-me que eram dos anos 60 ou 70", disse Re.   

Paulo VI, em novembro de 1967, foi submetido a uma cirurgia na próstata e sedado com anestesia geral. Fontes vaticanas especulam que um possível medo de não despertar da sedação pode ter motivado o Papa a preparar as cartas.   

A primeira carta era um anúncio da renúncia em caso de impossibilidade de prosseguir com o cargo. A segunda, nomeava o secretário de Estado da época ao posto, de maneira pro tempore.   

Os críticos de Paulo VI o viam como um líder distante, indeciso e sem carisma. Ele tinha dificuldades para se expressar e pouca desenvoltura para compromissos públicos. Mesmo assim, o argumento usado por Paulo VI para escrever as cartas de renúncia é inédito na Igreja, assim como o alegado por Bento XVI, em 2013, que afirmou que estava fisicamente incapaz de cumprir com todos os compromissos e empenhos do cargo. A renúncia foi institucionalizada dentro da Igreja Católica no pontificado de Bonifacio VIII, sucessor do papa Celestino V, que ocupou o posto durante alguns meses do ano de 1294.   

O decreto que regulamenta a renúncia de um Papa, no entanto, foi introduzida no Código de Direito Canônico em 1917 e reafirmado na versão atual, de 1983. O papa Pio XI também pensou em deixar cartas de renúncia já preparadas, em caso de sofrer alguma doença. Já o papa Pio XII predispôs um documento similar temendo uma invasão nazista. (ANSA)
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