Itália e França se reaproximam e pedem 'refundação' da UE

LYON E ROMA, 27 AGO (ANSA) - Após alguns episódios que demonstravam um repentino distanciamento entre Itália e França, o primeiro-ministro Paolo Gentiloni e o presidente Emmanuel Macron se reuniram nesta quarta-feira (27), em Lyon, para afinar a sintonia entre duas das maiores potências da Europa.   

A cúpula bilateral ocorreu no mesmo dia do anúncio do acordo sobre o controle do estaleiro STX, que havia sido nacionalizado por Macron, apesar da existência de um pacto que previa a compra de 66,6% de suas ações pela estatal italiana Fincantieri.   

Após muitas críticas por parte do governo da Itália, a França aceitou ceder 50% do STX para a Fincantieri de maneira definitiva, além de mais 1% por "empréstimo" de 12 anos. Além disso, o conselho de administração será dividido igualmente entre os dois países, mas o CEO será italiano.   

"Criamos condições claras sobre o plano industrial, com um acordo 'ganha-ganha'. E àqueles que acham terrível o fato de que haja um operador não francês, lembro que o primeiro acionista era coreano. Um coreano é melhor do que um italiano?", questionou Macron durante uma coletiva de imprensa com Gentiloni.   

O estaleiro havia sido nacionalizado em julho passado, após a quebra da empresa da Coreia do Sul que o controlava. "Esse é apenas o primeiro passo de um ambicioso projeto que é criar um grande player mundial da indústria naval, civil e militar", destacou o primeiro-ministro da Itália.   

Já para o presidente da França, o acordo referente ao STX deve aumentar a cooperação militar entre os dois países também "em campo". "Unimos o interesse italiano ao francês", acrescentou.   

"É um ótimo acordo, que permite ao sócio industrial [a Fincantieri] gerir, e dá à França garantias sobre os empregos e a tecnologia", reforçou Gentiloni.   

Europa - Líderes da segunda e da terceira maiores economias da União Europeia, atrás apenas da Alemanha e já desconsiderando o Reino Unido, o presidente e o primeiro-ministro também foram unânimes em defender o "relançamento" do bloco.   

Sem dar mais detalhes, Macron disse que apresentará na próxima quinta-feira (28), durante o jantar informal do Conselho Europeu em Tallinn, na Estônia, uma iniciativa para "refundar" a UE.   

"Temos um projeto ambicioso", garantiu.   

Já Gentiloni afirmou que Itália e França estão unidas nesse objetivo e que este é o momento da "ambição". "Chegou a hora de colocar na agenda a retomada europeísta. Agora há as condições de levá-la adiante, e devemos fazer isso ao lado da Alemanha e com um formato aberto a todos os países disponíveis", disse.   

As declarações coincidem com a ascensão do partido de extrema direita e eurocético Alternativa para a Alemanha (AfD), que se tornou a terceira maior força política do país nas eleições do último domingo (24). Entre as potências da UE, a próxima a ir às urnas deve ser a Itália, no primeiro semestre de 2018, e Bruxelas teme uma vitória de forças populistas.   

"A Itália compartilha da proposta de refundação da União Europeia, e já amanhã [28], em Tallinn, colaborará para reforçá-la", ressaltou o premier.   

Sintonia - Além da disputa pelo STX, Itália e França também entraram em rota de colisão nos últimos meses por causa da crise migratória na Líbia, com Macron tomando a iniciativa de negociar a pacificação entre as partes em conflito no país.   

A nação africana é ex-colônia italiana, e Roma há anos vem tentando liderar os esforços para solucionar a fragmentação iniciada com a queda de Muammar Kadafi. "Estabelecemos um roadmap para a Líbia: evitar o tráfico de humanos, uma ação conjunta contra o avanço de grupos terroristas e a estabilização da pressão migratória", declarou Macron, com o aval de Gentiloni. "A Europa deve ser uma força de estabilização e paz, sobretudo no Mediterrâneo e na Líbia", afirmou o italiano.   

Os dois líderes também destacaram que a reunião em Lyon serviu para definir detalhes da estratégia bilateral a ser adotada nos próximos meses. "É muito importante que chegue a mensagem de que Itália e França têm um plano de trabalho em comum", disse Gentiloni.   

Impasses - Durante a coletiva conjunta, o presidente e o primeiro-ministro se comprometeram com a conclusão da linha ferroviária de alta velocidade entre Lyon, na França, e Turim, na Itália, projeto que enfrenta a resistência de partidos populistas.   

"A Lyon-Turim permanece um ramal crucial. Por isso, até o primeiro trimestre de 2018, definiremos os prazos futuros do túnel principal", ressaltou Macron. Por outro lado, eles evitaram se posicionar sobre as disputas acionárias na operadora italiana TIM, que é controlada pelo grupo francês Vivendi, também dona de 30% da concorrente Mediaset.   

"Devemos ser modestos. O caso Telecom trata-se de players privados, não é uma política de Estado", minimizou o presidente da França. Por sua vez, Gentiloni afirmou que pede apenas o "respeito às leis italianas e europeias". (ANSA)
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