Pela 1ª vez, trégua entre Colômbia e ELN entra em vigor

ROMA, 2 OUT (ANSA) - Depois de meio século de luta armada, a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) aceitou pela primeira vez uma trégua temporária com as forças armadas da Colômbia.   

Comprometidos desde fevereiro em uma negociação de paz em Quito, o governo e os rebeldes acertaram o inédito cessar-fogo, iniciado na primeira hora do último domingo (1), que se estenderá a princípio até o dia 9 de janeiro de 2018.   

Esta é a primeira vez que o ELN aceita suspender suas operações de forma temporária e recíproca desde 1964. De acordo com o líder máximo do ELN, Nicolás Rodríguez, "todo tipo de ações ofensivas" na Colômbia foram suspensas.   

Por sua vez, as Forças Armadas receberam instruções por decreto de suspender suas operações contra os guerrilheiros. Com o acordo, as partes pretendem avançar para o fim definitivo do conflito na América, após o desarmamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) alcançado pelo presidente Juan Manuel Santos. O pacto rendeu o Prêmio Nobel da Paz ao mandatário.   

Para o chefe de Estado colombiano, a trégua é "o primeiro passo para alcançar a paz" com o ELN. A aproximação entre o governo e a guerrilha começou em 2014, em reuniões secretas realizadas em Equador, Brasil e Venezuela, com Cuba e Chile como "acompanhantes". As conversas exploratórias terminaram em 2016, quando os dois lados anunciaram a disposição de começar as negociações, que também serão monitoradas por nações como Itália, Alemanha, Holanda, Suécia, Suíça e Noruega.   

"A Itália acolhe com prazer a entrada em vigor hoje, primeiro de outubro, do acordo bilateral temporário entre o governo colombiano e o Exército de Libertação Nacional", diz uma nota do Ministério das Relações Exteriores da Itália.   

A trégua ocorre após uma semana de ataques contra a força pública e a um dos principais oleodutos do país. Segundo o ministro da Defesa, Luis Carlos Villegas, desde janeiro, 47 oficiais morreram ou ficaram feridos pelos rebeldes.   

No último sábado (30), o chefe das negociações do governo, Juan Camilo Restrepo, condenou o que chama de "investida insensata" e disse que espera que o ELN "cumpra seus compromissos" e apague a "má imagem e a incredulidade" que provoca.   

O cessar-fogo com o ELN, nascido sob a influência da Revolução cubana e com raízes cristãs, vai além do campo militar. Com 1,5 mil combatentes, a organização se comprometeu a deter os ataques petroleiros, a tomada de reféns, o recrutamentos de menores de 15 anos, além da instalação de artefatos explosivos.   

Já o governo, tem o compromisso de melhorar as condições carcerárias de 450 guerrilheiros e fortalecer a proteção de líderes sociais e de direitos humanos, alvos de ataques que deixam 190 mortos desde janeiro de 2016, de acordo com a defensoria pública. Por cinco décadas, os confrontos que, além das guerrilhas, envolveram paramilitares, narcotraficantes e agentes do Estado provocaram pelo menos 7,5 milhões de vítimas, entre mortos, desaparecidos e deslocados. (ANSA)
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