PGR pede para ouvir Temer em caso sobre decreto dos portos

SÃO PAULO, 2 OUT (ANSA) - A nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu autorização nesta segunda-feira (2) ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o presidente Michel Temer preste depoimento no inquérito que apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro na edição de um decreto do setor de portos.   


O pedido foi encaminhado ao ministro do STF, Luís Roberto Barroso, na última quinta-feira (28), relator do inquérito e a quem cabe autorizar o depoimento. De acordo com o documento, Dodge solicita a realização de sete conjuntos de diligências no inquérito, que serão de responsabilidade da Polícia Federal (PF). Além disso, ela destacou que pretende concluir essa e outras diligências em até 60 dias.   


Esta é uma das primeiras manifestações da nova PGR envolvendo Temer. A decisão afasta as suspeitas de que ela poderia "aliviar" as investigações contra o chefe de Estado. O inquérito apura suspeitas de recebimento de vantagens indevidas dos envolvidos pelo suposto favorecimento da empresa Rodrimar S/A por meio da edição do Decreto dos Portos (Decreto 9.048/2017). O pedido de abertura do inquérito chegou ao Supremo em junho e foi remetido ao ministro Edson Fachin. Ao receber o processo, o ministro entendeu que o caso deveria ser redistribuído a outro integrante da Corte por não ter conexão com o inquérito que envolve Temer, baseado nas delações da JBS. No início de setembro, a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, determinou uma nova distribuição, e Barroso foi escolhido o novo relator. No processo, os empresários Ricardo Conrado Mesquita e Antônio Celso Grecco, ambos ligados à empresa, também são alvos.   


O suposto favorecimento veio à tona após o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures ter sido gravado pela PF em uma conversa telefônica com o presidente na qual perguntava sobre o andamento do decreto.   


A suspeita é de que Temer recebeu propina pela edição do decreto. Por sua vez, a defesa do presidente da República e da empresa controladora do porto santista negam as acusações e dizem que a regra editada por decreto foi fruto de amplo debate e atendeu todo o setor portuário. (ANSA)
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