Lampedusa relembra naufrágio com 368 mortos no Mediterrâneo

ROMA, 3 OUT (ANSA) - Centenas de pessoas participaram nesta terça-feira (3) de uma marcha em Lampedusa, ilha italiana situada no mar Mediterrâneo, para recordar o quarto aniversário do naufrágio de 3 de outubro de 2013, que deixou 368 imigrantes mortos.   

A cerimônia ainda contou com a presença do presidente do Senado italiano, Piero Grasso, da ministra da Educação, Valeria Fedeli, e de cerca de 200 jovens da Itália, Espanha, Malta, Áustria e França, que participavam de um workshop chamado "A Europa começa em Lampedusa", já que a ilha é considerada uma das principais portas de entrada do continente.   

"Lampedusa é um exemplo, um modelo a ser imitado e seguido", disse Grasso.   

"Queremos mais Europa em Lampedusa. É necessário compreender o fenômeno imigratório iniciando pela escola. Precisamos aprender e acolher compreendendo tudo, especialmente os perigos daqueles que procuram escapar de guerra e situações muito graves. Eu penso que temos que salvar as vidas. Devemos entender o grande sacrifício que eles fazem para escapar", ressaltou Fedeli.   

"A Europa começa em Lampedusa" é um projeto promovido pelo Ministério da Educação, Universidade e Pesquisa em colaboração com a Comissão 3 de outubro. Ele é possível graças ao empenho do Fundo de Asilo de Migração e Integração (Fami), gerido pelo Ministério do Interior da Itália. O evento estudantil, que começou no último sábado (30), forneceu workshops, encontros com imigrantes e sobreviventes da tragédia, especialistas e trabalhadores em comemoração ao dia nacional em memória das vítimas.   

Para o prefeito das Ilhas Pelágias, Totò Martello, este "é o momento de se unir, e não fazer mais polêmicas inúteis que servem só para criar um pânico que não deve existir. Lampedusa continua a ser um lugar onde integração, acolhimento e fraternidade são as prioridades".   

Nesta terça, a Itália celebra o "Dia da Memória e Acolhida", instituído em 2016, com o objetivo de recordar aqueles que "perderam a vida na tentativa de emigrar ao nosso país para fugir das guerras, das perseguições e da miséria".   

Grasso e Fedeli também participaram da inauguração do museu arqueológico que terá uma área reservada aos refugiados, e contará com painéis que descrevem a chegada dos imigrantes à Ilha.   

"Estamos interagindo com a superintendência de Agrigento e todos os achados que estão mantidos nos porões da superintendência durante anos e que se relacionam com a história de nossas ilhas voltarão para cá e serão disponibilizados aos visitantes", acrescentou Martello.   

O naufrágio de quatro anos atrás é considerado uma das piores tragédias da história do Mediterrâneo e foi o estopim para a criação da operação militar italiana Mare Nostrum, destinada a resgatar embarcações superlotadas na região. Mais tarde, a iniciativa foi substituída por uma força-tarefa europeia, mas o papel mais ativo continua sendo de Roma.   

A maioria dos imigrantes do barco era formada por eritreus, somalis e ganeses, que pagaram cerca de US$3 mil cada um a traficantes de seres humanos para fazer a viagem. (ANSA)
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