Papa pede combate contra violência sexual na internet

CIDADE DO VATICANO, 6 OUT (ANSA) - O papa Francisco fez um apelo nesta sexta-feira (6) para que a Igreja Católica e toda a sociedade "desperte a consciência" diante da violência sexual na internet e nas redes sociais, que afeta diretamente os jovens. "Devemos manter os olhos abertos e não esconder uma verdade que é desagradável e que não gostaríamos de ver", declarou o Pontífice ao receber no Vaticano uma assembleia para debater os perigos na internet.   

O congresso intitulado "A dignidade das crianças no mundo digital" reuniu cientistas, sociólogos, advogados e representantes do setor digital, além de religiosos de vários continentes.   

"Já não compreendemos nesses anos que esconder a realidade do abuso sexual é um grave erro e fonte de tantos males?", questionou o Jorge Mario Bergoglio aos especialistas. Durante a audiência, Francisco ainda ressaltou que "a Igreja Católica nos últimos anos se tornou cada vez mais consciente de não ter feito o suficiente no seu interior para a proteção dos menores, inclusive foram revelados casos gravíssimos sobre os quais devemos reconhecer nossa responsabilidade".   

O papa também enumerou as principais ameaças para os jovens ressaltando a disseminação de imagens pornográficas cada vez mais extremas, o fenômeno do "sexting", envio de mensagens sexuais, e o assédio.   

"Diante de tudo isso ficamos certamente horrorizados, mas infelizmente também desorientados", lamentou Francisco que orientou que "não devemos permitir que o medo nos domine".   

Bergoglio ainda pediu aos especialistas para "não substimarem" o impacto das imagens sexuais sobre as crianças, não confiarem excessivamente em filtros automáticos e não cair na visão ideológica e mítica da rede como um reino de liberdade sem limites".   

De acordo com dados citados na audiência, dos mais de três bilhões de usuários da internet, mais de 800 milhões são menores. Para ele, "não se trata de um exercício de liberdade, mas de crimes, contra os quais devemos lidar com inteligência e determinação, expandindo a cooperação entre os governos e a aplicação da lei a nível global".   

Nos últimos anos, diversos casos de abuso sexual e de pornografia infantil foram registrados na Igreja. O papa, por sua vez, tem feito diversas declarações sobre os crimes e já afirmou, inclusive, que jamais concederá graça a sacerdotes condenados por casos de abusos.   

O Vaticano, no entanto, mantêm as investigações de casos de pedofilia em sigilo. Mas, por décadas, a prática da Santa Sé era de apenas transferir de dioceses os sacerdotes que haviam sido denunciados por práticas criminosas. (ANSA)
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