Por que o índice Ibovespa vem batendo recordes seguidos?

SÃO PAULO, 23 OUT (ANSA) - Por Tatiana Girardi - O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, cravou uma série de recordes consecutivos no mês de setembro e derrubou por muito seu melhor resultado anterior, registrado em 20 de maio de 2008.   

Naquele dia, o indicador atingira 73,5 mil pontos. Dessa vez, em 20 de setembro, ele superou os 76 mil, patamar que vem se mantendo neste início de outubro. Mas por que resultados tão expressivos em sequência? "A Bolsa permaneceu praticamente estagnada por muito tempo e, segundo analistas, os preços das ações estavam relativamente baixos. Com a queda da taxa de juros e com a perspectiva de que elas caiam ainda um pouco mais, é natural o fato de investidores procurarem outros tipos de aplicações", diz o economista da Universidade de Brasília (UNB) Roberto Bocaccio Piscitelli, em entrevista à ANSA.   

O professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Marcos Antonio de Andrade segue a mesma linha e explica que muitas empresas, como a Petrobras, por exemplo, estavam com o valor patrimonial abaixo do "valor de mercado".   

"Existe uma avaliação dos ativos que são negociados na Bolsa, ou seja, das empresas que têm suas ações negociadas na Bolsa. E essa avaliação, desde o início deste ano, mostrou que os preços dos ativos estão muito baixos. Algumas ações estavam muito próximas de seu valor patrimonial e, acredite, algumas estavam com valor de mercado abaixo dele", diz Andrade à ANSA.   

Já o economista e professor da FGV/EPG Antonio Carlos Porto Gonçalves aponta ainda que, como "a Bolsa não opera com o passado, mas sim com o futuro", os investidores estão dizendo que "as empresas brasileiras vão ter uma performance muito melhor e que não há o enorme risco político de voltar para a conversa do governo anterior".   

Crise política - Os especialistas consultados pela ANSA são unânimes em afirmar que, apesar da instabilidade do governo de Michel Temer, o mercado acabou "se descolando" das questões políticas.   

"O que se apresenta hoje é um cenário não mais pessimista, mas com expectativa de otimismo, o que justifica a volta do interesse pelos investimentos em ativos de bolsas, uma vez que esses ativos estão com preços bem baixos", destaca Andrade.   

Segundo ele, um fator positivo é o fato de que os ministros e demais representantes públicos ligados a questões econômicas estão tomando ações que tentam estimular a economia em geral, como ocorreu com a liberação dos saldos inativos do Fundo de Garantia.   

O professor do Mackenzie destaca que os grandes empresários tiveram "interesse" em fazer um cenário até 2018, quando ocorrem as novas eleições presidenciais no país.   

"Qual a expectativa de piora? Muito pouca, e isso com o presidente Temer ou não. E a política econômica, está sendo bem conduzida? A política econômica está fazendo e criando cenários que dão um pouco mais de confiança? Sim. Os ministros da área econômica estão afastados de outros da área política", ressalta Andrade.   

O "fator Temer" também está fora da análise de Gonçalves, que destaca que "o ponto essencial é muito menos o Temer e muito mais a turma da economia, porque as pessoas que estão lá [na área econômica] não estão metidas nas crises, não estão sendo investigadas".   

Outro ponto abordado na relação política versus economia, dessa vez por Piscitelli, é o fato de que o mercado entendeu que "esses sobressaltos" com investigações de presidentes ou ministros vão ser tanto percebidos quanto sentidos "por muito tempo ainda".   

"Eu acho que esse processo na política é praticamente crônico e decorre da própria ilegitimidade, da própria impopularidade desse governo com todo esse rol de denúncias quase infindável do presidente e de seus assessores mais próximos. Não vejo uma mudança desse panorama em curto prazo. Mas isso não chega assim a provocar um grande abalo na Bolsa de Valores e não vai representar uma reversão desse movimento", finaliza.   

Como funciona o Ibovespa - O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo reúne as principais ações negociadas no país. Ao todo, 56 empresas fazem parte do indicador. Já a classificação por pontos surgiu no fim da década de 1960 e começou em 100 pontos, que foram sendo ajustados quando o Brasil passava por períodos de muita inflação, como nas décadas de 1980 e 1990. (ANSA)
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