SP tem novo protesto contra filas para cidadania italiana

SÃO PAULO, 12 OUT (ANSA) - Em uma tarde ensolarada em São Paulo, dezenas de pessoas se reuniram nesta quinta-feira (12), em frente ao Consulado-Geral da Itália na capital paulista, para protestar contra as filas para reconhecimento de cidadania.   


O ato foi similar ao ocorrido no dia 7 de abril, quando a manifestação acabou esvaziada por causa da chuva e pelo fato de ter sido realizada na manhã de uma sexta-feira. Naquela ocasião, também houve protestos em frente a outros consulados na América Latina.   


Desta vez, com céu aberto e a Avenida Paulista fechada para carros por conta do feriado de Nossa Senhora Aparecida, nada impediu as pessoas de se manifestarem. Com direito a bandinha tocando músicas italianas e muitas bandeiras tricolores, o grupo levantou cartazes criticando a demora no reconhecimento da cidadania.   


"Eu vim por causa das filas para cidadania italiana, especialmente no consulado de São Paulo. Eu nem entrei [com o processo de reconhecimento], porque não vale a pena. É capaz de eu morrer antes de conseguir", disse o senhor Antonio Filippin, que estava acompanhado de seu filho, Vinícius.   


"Quero um dia morar na Itália e estou juntando os documentos para entrar com o pedido [de cidadania]. Vamos ver se eu consigo tirar até o fim da vida", ironizou o jovem. Ambos ficaram sabendo da manifestação por meio do grupo "Cidadania Italiana - Área Livre", que reúne mais de 100 mil pessoas no Facebook.   


Patrocinado pelo partido Movimento Associativo Italianos no Exterior (Maie), o protesto teve um forte tom político, com críticas e faixas contra os representantes brasileiros no Parlamento italiano: os deputados Fabio Porta e Renata Bueno e o senador Fausto Longo.   


A principal reivindicação da manifestação foi referente aos 300 euros que cada adulto precisa pagar pelo processo de cidadania nos consulados. O valor foi instituído em 2014, com a justificativa de aumentar os recursos das representações diplomáticas, mas até hoje não foi revertido para a rede consular.   


Atualmente, a fila de espera para reconhecimento da cidadania italiana em São Paulo é de 12 anos, ou seja, foram chamadas em 2017 pessoas que estão esperando desde 2005. Uma emenda à Lei Orçamentária da Itália prevê a destinação de cerca de um terço da taxa de 300 euros à rede consular, mas a transferência dos recursos segue travada.   


Outro lado - Em abril, na época dos primeiros protestos, o cônsul-geral em São Paulo, Michele Pala, disse à ANSA que reconhecia a legitimidade das manifestações, porém ressaltou que o Consulado atua em seu limite.   


"Entendo a frustração de quem tem de esperar, mas é importante ficar claro que o Consulado está fazendo o possível, os funcionários já têm uma produtividade muito alta, mas não à altura de enfrentar um atraso que tem razões históricas", acrescentou Pala na ocasião. O cônsul-geral ainda lembrou que as representações precisam atender aqueles que já são cidadãos italianos, número que, contabilizando apenas os inscritos na sede paulista, ultrapassa as 200 mil pessoas - menos de 20 municípios na Itália possuem populações superiores a essa.   


"O consulado vai fazer o possível para diminuir o tempo de espera, mas, no momento, não tenho recursos para poder fazer uma redução significativa", afirmou Pala, ressaltando que o destino da taxa de 300 euros não depende dos consulados. (ANSA)
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