Exército do Iraque expulsa forças curdas de Kirkuk

ROMA, 16 OUT (ANSA) - O Exército do Iraque fez nesta segunda-feira (16) uma operação para retomar o controle da cidade de Kirkuk, nos arredores do Curdistão, em mais um episódio da escalada da tensão iniciada com o plebiscito separatista de setembro passado.   

Segundo o primeiro-ministro Haider al Abadi, a ofensiva foi idealizada para "servir o povo e conservar a unidade do país".   

Rica em petróleo, Kirkuk era defendida desde 2014 por guerrilheiros curdos, os "peshmerga", que estão na linha de frente da luta contra o Estado Islâmico (EI).   

No último dia 25 de setembro, o Curdistão do Iraque realizou um plebiscito simbólico para o povo expressar se deseja ou não a independência da região, que goza de certa autonomia em relação a Bagdá. A consulta popular não foi reconhecida pelo governo central e teve 92% dos votos pelo "sim" à secessão.   

"Essa situação de perigo se criou no momento em que estávamos lutando uma guerra pela sobrevivência contra o grupo terrorista Daesh [outro nome do EI]", acrescentou Abadi. As forças iraquianas encontraram pouca resistência e tomaram toda a cidade de Kirkuk, inclusive poços de petróleo.   

No entanto, para os peshmerga, a operação foi uma "declaração de guerra" contra o Curdistão. Situada na província homônima, Kirkuk é uma das áreas do Iraque mais ricas em petróleo e, por conta de sua localização estratégica, é um histórico alvo de disputas entre árabes, curdos e turcomanos.   

A província fica 250 quilômetros a nordeste de Bagdá e tem cerca de 1 milhão de habitantes. Em 2014, o Exército abandonou a região por causa do avanço do EI, abrindo espaço para as milícias curdas, que expulsaram os jihadistas e tomaram o controle da cidade e dos poços de petróleo mais importantes.   

Desde então, a área estava sob domínio dos peshmerga, e as autoridades do Curdistão iniciaram um lento processo de integração, inclusive por meio da difusão de seu idioma e da nomeação de curdos para postos-chave da administração pública.   

Em setembro passado, o governador de Kirkuk, Najmuldin Karim, hasteou bandeiras do Curdistão ao lado das do Iraque e foi um dos expoentes da campanha para incluir a província no plebiscito separatista. Sucessivamente, o Parlamento nacional votou uma moção para removê-lo do cargo, mas Karim se negou a obedecer.   

(ANSA)
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