Papa Francisco diz que principal 'arma' contra fome é o amor

CIDADE DO VATICANO, 16 OUT (ANSA) - O papa Francisco fez um novo alerta nesta segunda-feira (16) e pediu que se introduza o "amor" na linguagem da cooperação internacional, porque a fome só acabará enquanto não houver guerra.   

O Pontífice fez um discurso na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, que tem como diretor-geral o brasileiro José Granizo da Silva, por ocasião do Dia Mundial da Alimentação.   

"Seria exagerado introduzir na linguagem da cooperação internacional a categoria do amor, conjugada como gratuidade, igualdade de tratamento, solidariedade, cultura do dom, fraternidade, misericórdia?", questionou o Pontífice.   

Para o líder da Igreja Católica, "essas palavras expressam, de fato, o conteúdo prático do termo humanitário, tão usado na atividade internacional".   

"Amar aos irmãos, tomando a iniciativa, sem sermos correspondidos, é o princípio evangélico que também encontra expressão em muitas culturas e religiões", acrescentou Francisco.   

"É necessário que a diplomacia e as instituições multilaterais alimentem e organizem essa capacidade de amar, porque é a via mestre que garante não apenas a segurança alimentar, mas também a segurança humana em seu aspecto global", disse.   

"Não podemos agir apenas se os demais agirem, nem nos limitarmos a ter piedade, porque a piedade se limita às ajudas de emergência, enquanto o amor inspira a justiça e é essencial para levar adiante uma ordem social justa entre realidades distintas que aspiram ao encontro recíproco", argumentou o papa.   

"Amar significa contribuir para que cada país aumente a produção e chegue a uma autossuficiência alimentar. Amar se traduz em pensar em novos modelos de desenvolvimento e de consumo e em adotar políticas que não piorem a situação das populações menos avançadas, ou sua dependência externa", acrescentou.   

"É urgente encontrar novos caminhos", disse o Papa, lembrando que a fome que atinge muitos locais do mundo também não acabará enquanto houver guerra. Em sua conta no Twitter, Jorge Mario Bergoglio ressaltou que "devemos responder ao imperativo que o acesso ao alimento necessário é um direito de todos. Um direito que não consente exclusões".   

Antes de seu discurso, o Santo Padre inaugurou, na sede as FAO, uma escultura sobre o menino sírio Alan Kurdi, encontrado morto em uma praia em 2015, que se tornou símbolo do drama dos refugiados. (ANSA)
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