10 anos após crime, família de Meredith Kercher pede justiça

PERÚGIA, 01 NOV (ANSA) - No aniversário de 10 anos do assassinato de Meredith Kercher, a família da estudante britânica voltou a cobrar o esclarecimento de um caso marcado por reviravoltas e que mobilizou a opinião pública italiana ao longo da última década.   

No dia 1º de novembro de 2007, o corpo de Kercher, 22 anos, foi encontrado na casa que ela dividia com a norte-americana Amanda Knox e o marfinense Rudy Guede. Knox e seu então namorado, o italiano Raffaele Sollecito, chegaram a ficar presos por quatro anos, mas acabaram absolvidos em definitivo em março de 2015.   

Guede, condenado a 16 anos de cadeia, é o único responsabilizado pelo crime, mas a família de Kercher se recusa a acreditar que ele tenha agido sozinho. "É difícil ficar em paz sem saber exatamente o que aconteceu naquela noite. Que se acredite na inocência ou na culpa dos acusados, há ainda contradições, para não falar do fato de que nunca nos avisaram sobre investigações contra outros possíveis envolvidos", escreveu Stephanie Kercher, irmã da vítima, em uma carta divulgada pelo advogado da família, Francesco Maresca.   

Ela lembra que Guede foi condenado com base na ideia de que ele não foi o único responsável pelo assassinato, mas, desde a absolvição de Knox e Sollecito, ninguém mais foi investigado.   

"Estou decepcionada com o sistema judiciário italiano, uma vez que ele se contradisse várias vezes em suas decisões e não procurou novas pistas", acrescentou Stephanie, questionando se o caso não foi "abandonado".   

"No caso Meredith Kercher, todos sabemos que Guede não estava sozinho, mas sabemos também que, para o Estado italiano, não há outros culpados", reforçou Maresca. Kercher chegara à Itália um mês antes de ser morta, para participar do programa de intercâmbio Erasmus, da União Europeia.   

O crime - O homicídio ocorreu na cidade italiana de Perúgia, onde Knox e Kercher dividiam um apartamento, em 1º de novembro de 2007. O corpo da britânica foi encontrado na residência em que elas moravam degolado, seminu e com uma série de feridas O caso logo chamou atenção pelas circunstâncias que o envolviam.   

Ao lado de Guede, que vivia com as duas, Knox e Sollecito - na época namorados - foram acusados de matar Kercher em meio a discussões sobre a limpeza da casa e jogos sexuais que fugiram do controle - hipótese que foi desconsiderada mais tarde.   

A beleza da norte-americana também foi outro chamariz para o crime. Na Itália, ela ficou conhecida como "a diaba com rosto de anjo". O ex-casal chegou a ser sentenciado após o DNA de Knox ter sido encontrado em uma faca com o sangue da vítima e ficou preso na Itália até 2011, quando a Corte de Cassação, tribunal supremo do país, anulou o processo por conta de falhas na perícia.   

No mesmo dia em que foi libertada, a norte-americana voltou para a casa de sua família, em Seattle. No fim de 2013, o mesmo tribunal determinou a reabertura do caso, já que a inocência dos dois não tinha sido comprovada, culminando em uma sentença condenatória da Corte de Apelação de Florença em janeiro do ano seguinte.   

Contudo a decisão foi novamente derrubada pela Corte de Cassação, que não viu indícios de participação de Knox e Sollecito no assassinato e os absolveu em definitivo. Passados 10 anos do crime, a norte-americana se tornou escritora e jornalista, enquanto o italiano se formou em engenharia da computação. (ANSA)
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