'Sinto falta de Meredith', diz Amanda Knox

ROMA, 01 NOV (ANSA) - Nos 10 anos do assassinato da estudante britânica Meredith Kercher, a norte-americana Amanda Knox, absolvida do crime em 2015, publicou nesta quarta-feira (1º) um texto dizendo que "sente falta" da ex-colega.   

Hoje jornalista e escritora, Knox se manifestou por meio de um texto em seu blog, no qual afirma que, em 1º de novembro de 2007, Kercher foi "estuprada e assassinada por um ladrão enquanto estava sozinha" na residência que elas dividiam em Perúgia, no centro da Itália.   

A britânica havia chegado ao país um mês antes, para participar do programa de intercâmbio da União Europeia, e o único condenado pelo seu homicídio é o marfinense Rudy Guede, que cumpre pena de 16 anos de prisão.   

"Quando olho para minhas memórias de Meredith, o que eu encontro são belos, banais momentos que compartilhamos. [...] Essas lembranças estão enterradas sob as horríveis fotos da autópsia e da cena do crime que eu vi, os xingamentos dos quais fui chamada, as ameaças de morte que recebi (e ainda recebo), as falsas acusações", escreveu a norte-americana.   

Segundo Knox, Kercher era sua "amiga mais próxima" em um "novo e empolgante" momento de suas vidas. "Algumas pessoas pensam que eu não tenho o direito de chorar Meredith. Elas acreditam que eu tive algo a ver com seu assassinato - eu não tive - ou que Meredith tenha sido esquecida durante minha própria luta por justiça - ela não foi", acrescentou.   

A norte-americana ressaltou que muitas pessoas "amaram e conheceram" mais sobre Kercher, mas disse que ela compartilha com a família e os amigos da britânica o fato de que o assassinato mudou suas vidas.   

"Odeio que minhas memórias sobre ela estejam enterradas sob os anos de sofrimento que eu e Raffaele [Sollecito, seu então namorado] tivemos após o homicídio. E é deprimente saber que o luto vem com o preço de ser criticada por qualquer coisa que eu diga ou não diga hoje. Mas o mais triste de tudo é que Meredith não está aqui, sendo que ela merecia estar. Sinto falta dela e sou grata pelas lembranças de nosso tempo juntas", concluiu.   

Também absolvido, Raffaele Sollecito usou o Twitter para recordar o assassinato de Kercher, porém se concentrou nos efeitos do caso sobre sua vida. "Se passaram 10 anos, e nada mudou. A essa hora, estava feliz e despreocupado, faltando uma semana para me formar. Projetava estudar desenvolvimento de games na Irlanda, mas, após alguns dias, me acusaram de um homicídio com o qual eu jamais sonharia", disse.   

O crime - O homicídio ocorreu na cidade italiana de Perúgia, onde Knox e Kercher dividiam um apartamento, em 1º de novembro de 2007. O corpo da britânica foi encontrado na residência em que elas moravam degolado, seminu e com uma série de feridas.   

O caso logo chamou atenção pelas circunstâncias que o envolviam.   

Ao lado de Guede, Knox e Sollecito - na época namorados - foram acusados de matar Kercher em meio a discussões sobre a limpeza da casa e jogos sexuais que fugiram do controle - hipótese que foi desconsiderada mais tarde.   

A beleza da norte-americana também foi outro chamariz para o crime. Na Itália, ela ficou conhecida como "a diaba com rosto de anjo". O ex-casal chegou a ser sentenciado após o DNA de Knox ter sido encontrado em uma faca com o sangue da vítima e ficou preso na Itália até 2011, quando a Corte de Cassação, tribunal supremo do país, anulou o processo por falhas na perícia.   

No mesmo dia em que foi libertada, a norte-americana voltou para a casa de sua família, em Seattle. No fim de 2013, o mesmo tribunal determinou a reabertura do caso, já que a inocência dos dois não tinha sido comprovada, culminando em uma sentença condenatória da Corte de Apelação de Florença em janeiro do ano seguinte. Contudo a decisão foi novamente derrubada pela Corte de Cassação, que não viu indícios de participação de Knox e Sollecito no assassinato e os absolveu em definitivo. Já Guede foi condenado por ter invadido a casa e matado Kercher, mas ele alega que conhecia a britânica e que estava na residência a convite dela.   

Segundo sua versão, o homicídio ocorreu enquanto ele estava no banheiro, após uma discussão entre Kercher e Knox. (ANSA)
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