Em cemitério, Papa faz apelo emocionante contra guerra

CIDADE DO VATICANO, 2 NOV (ANSA) - Na data em que é celebrado o dia dos finados, o papa Francisco fez um dos discursos contrários à guerra mais emocionantes nesta quinta-feira (2) ao visitar na Itália dois dos locais mais emblemáticos dos horrores da Segunda Guerra Mundial.   

Em uma homilia improvisada no cemitério militar norte-americano de Nettuno, em Roma, o Pontífice afirmou que o mundo parece caminhar para a guerra talvez de uma forma ainda mais forte do que antes.   

"Por favor Senhor, pare. Sem mais guerras. Sem mais desses massacres inúteis", disse Francisco, ressaltando que lembrar dos muitos jovens mortos na guerra é ainda mais importante nos dias de hoje.   

Jorge Mario Bergoglio realizou um missa para milhares de pessoas no Sicily-Rome American Cemetery. Lá, estão enterrados 7.860 soldados e enfermeiras norte-americanos que perderam a vida na libertação do sul da Itália e Roma em 1943 e 1944.   

"Os homens fazem todo o possível para declarar e fazer guerra e, no final, destroem a si mesmos", comentou, citando as palavras de uma idosa japonesa em frente às ruínas de Hiroshima, devastada pela bomba nuclear.   

"Isso é a guerra: a destruição de nós mesmos", reforçou.   

Antes da missa, o líder da Igreja Católica caminhou lentamente em meio às fileiras de lápides no formato de cruzes e estrelas de David, colocando gentilmente uma rosa branca em cerca de uma dúzia delas.   

"Se hoje é um dia de esperança, também é de lágrimas. Lágrimas como as que derramaram as esposas e as mães durante os conflitos mundiais depois de receberem uma carta com a trágica frase: senhora, tenho a honra de informar que seu marido foi declarado herói da pátria", acrescentou o Papa.   

O Pontífice ainda lamentou que esta é "uma humanidade que não aprendeu a lição e não parece querer aprendê-la".   

"Quantas vezes no curso da história os homens pensaram em fazer guerra convencidos de levar um novo mundo, uma primavera, que termina em um inverno frio e cruel, um reino de terror e morte", afirmou.   

"Isso é a guerra e esse é o seu único fruto: a morte", lamentou.   

Entre as celebrações do dia dos finados, Francisco também homenageou as vítimas de um massacre nazista executado próximo à Roma em 24 de março de 1944.   

Perto do monumento das Fossas Ardeatinas, onde cerca de 335 pessoas, sendo 75 judeus, foram executados com tiros na cabeça em represália a um atentado da Resistência contra um caminhão de soldados nazistas em uma rua de Roma, o Papa argentino rezou pelas vítimas.   

Por fim, o Santo Padre deixou escrito no registro do memorial a seguinte frase: "aqui estão os frutos da guerra: ódio, morte, vingança. Perdoe-nos, Senhor".   

Ao voltar para o Vaticano, o Papa vai rezar nas grutas da Basílica de São Pedro, em homenagem aos pontífices ali sepultados e por todos os defuntos. (ANSA)
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