Votação em distrito de Roma tem 'boom' neofascista

ROMA, 06 NOV (ANSA) - As eleições em Ostia, distrito litorâneo de Roma dissolvido por causa da infiltração da máfia no poder público, tiveram um "boom" do movimento neofascista CasaPound, que conseguiu eleger seu primeiro representante nas instituições da capital.   

Capitaneado por Luca Marsella, que recebera o apoio declarado de uma família envolvida com o crime organizado, o partido obteve 9,08% dos votos na disputa para presidente do distrito, se colocando como a quarta força no pleito.   

Além disso, conquistou um assento no conselho legislativo de Ostia, cargo que pretende usar como ponto de partida para superar a cláusula de barreira de 3% e entrar no Parlamento da Itália nas eleições nacionais de 2018.   

"9% é um resultado impressionante, fruto do enraizamento e do empenho constante no território, festejemos uma vitória do povo.   

A luta contra a degradação será meu primeiro compromisso como conselheiro, queremos fechar os centros de acolhimento [para refugiados] e derrotar os mercados ciganos abusivos", disse Marsella, que representará o movimento neofascista no órgão legislativo distrital.   

Já a presidência de Ostia ficará entre Giuliana Di Pillo, do Movimento 5 Estrelas (M5S), que obteve 30,21% dos votos, e Monica Picca, da legenda ultranacionalista Irmãos da Itália (FDI) e apoiada também pela centro-direita, que teve 26,68%. O segundo turno será em 19 de novembro.   

Famosa pelos sítios arqueológicos e por ter sido palco do assassinato do cineasta Pier Paolo Pasolini, em 1975, Ostia teve sua administração dissolvida pelo Conselho dos Ministros em meados de 2015, após uma investigação ter descoberto a infiltração das famílias criminosas Fasciani, Triassi e Spada nas instituições locais - esta última apoiou o CasaPound.   

O caso nasceu no âmbito de um inquérito sobre organizações mafiosas na capital. O distrito possui 230 mil habitantes - o equivalente a uma cidade italiana de médio porte - e 185 mil eleitores, o que o transforma no território mais populoso a sofrer uma intervenção do governo devido a ações da máfia.   

No entanto, a dissolução das instituições locais não agradou a população, que puniu o Partido Democrático (PD), legenda que está no poder na Itália, dando a ela apenas 13,61% dos votos nas eleições distritais. (ANSA)
Veja mais notícias, fotos e vídeos em www.ansabrasil.com.br.


Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos