Navios de cruzeiro serão proibidos no centro de Veneza

ROMA, 07 NOV (ANSA) - O ministro de Infraestrutura e Transportes da Itália, Graziano Delrio, afirmou nesta terça-feira (7) que os "grandes navios" serão proibidos de navegar na Bacia de San Marco e no Canal de Giudecca, em Veneza.   

A declaração foi dada ao fim de uma reunião interministerial com autoridades venezianas em Roma, que teve como objetivo definir uma solução para um problema que há anos atormenta os moradores da capital do Vêneto.   

Delrio já havia feito promessa parecida em 2016, mas essa é a primeira vez que ele dá um prazo específico para remover os grandes navios do centro histórico de Veneza e oferece uma alternativa. "No arco de três a quatro anos, todas as embarcações com mais de 55 mil toneladas irão para Marghera", declarou.   

Marghera é um bairro situado no continente e que abriga um dos mais importantes portos comerciais da Itália. Atualmente, navios de cruzeiro, por exemplo, atracam no terminal de passageiros do Porto de Veneza, que fica na parte insular da cidade, ao lado da Estação Santa Lucia.   

Para isso, as embarcações cruzam a Bacia de San Marco, em frente à praça homônima, e o Canal de Giudecca. A proibição aos transatlânticos nessa parte da Lagoa já é estudada há anos pelas autoridades, mas até hoje não saiu do papel.   

Esses navios pesam dezenas de milhares de toneladas e carregam até 5 mil pessoas, representando um risco para o frágil ecossistema veneziano e um fator de erosão do solo marinho.   

A passagem de grandes navios pelo Canal de Giudecca já foi alvo de diversos protestos na capital do Vêneto, inclusive com cidadãos vestidos de piratas cercando cruzeiros com seus barcos.   

O Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco já ameaçou colocar Veneza na lista de lugares "em risco" caso as autoridades continuassem permitindo transatlânticos em seu centro histórico.   

No entanto, o poder público temia que isso afetasse o turismo, motor da economia veneziana, mas também fonte de crescente tensão na cidade.   

Com a decisão do governo, os navios de cruzeiro passarão a usar o canal norte de Marghera, que hoje concentra o tráfego comercial. "As duas realidades podem coexistir nessa fase transitória, até que o terminal de Marghera seja equipado", garantiu Delrio. (ANSA)
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