Cidade de Riina está sem governo por infiltração mafiosa

CORLEONE, 17 NOV (ANSA) - A comuna italiana de Corleone, cidade natal do mafioso Salvatore "Totò" Riina, que faleceu nesta sexta-feira (17), está sob gestão de um comissariado desde agosto de 2016 depois de denúncias de infiltração mafiosa no então governo local.   

A administração era guiada por Lea Savona, eleita em uma lista cívica da centro-direita, que tinha se condenado por diversas vezes, publicamente, a máfia Cosa Nostra.   

O último de seus discursos contra o grupo havia ocorrido no dia da morte de Bernardo Provenzano, aliado e amigo de Riina, menos de um mês antes da dissolução do governo. "Os honestos de Corleone tiram de suas costas um peso de uma história criminosa", disse a prefeita.   

O pedido foi visto como uma espécie de apelo da líder comunal para fechar um passado tenebroso, que tem em Corleone o nascimento de alguns dos maiores chefes mafiosos da história da Itália. Para os moradores, a triste coincidência de ser a cidade natal do médico Michele Navarra a Luciano Leggio, de Bernardo Provenzano e do próprio Riina, foi uma marca que a tornou famosa internacionalmente.   

O dissolvimento do governo local, que fora proposto pelo então ministro do Interior, Angelino Alfano, girava ao redor da vitória suspeita em algumas licitações, como naquela relativa à construção de um centro poliesportivo.   

A disputa terminou chamando a atenção da Procuradoria de Palermo, que chegou a prender um funcionário da prefeitura, Antonio Di Marco, apontado pelos investigadores como membro de um clã mafioso.   

Di Marco, que cuidava do campo esportivo existente, onde também foram realizados eventos do grupo mafioso, foi flagrado em interceptações telefônicas pedindo para fazer pressão à administração pública para liderar os trabalhos.   

"Ninguém imaginava que esse funcionário público poderia estar de conluio com eles. Eu cometi o pecado da inexperiência, de qualquer erro, mas não posso ser considerada próxima aos ambientes mafiosos", se defendeu Savona.   

- Morte recebida com alívio: Apesar de não ser perceptível nenhuma festa ou lamentação pela morte de Riina, os moradores da pequena cidade, que conta com pouco mais de 11 mil habitantes, receberam a notícia do falecimento com alívio.   

"Espero que agora possa chegar ao fim também a máfia. Aqui nós só queremos viver e trabalhar", diz uma jovem funcionária de uma empresa de telefonia.   

Entre um café e outro no bar da cidade, os comentários dos mais jovens vão desde um "era hora" até outros que esperam que "finalmente, nós possamos nos livrar do título de 'capital' da máfia italiana".   

Alguns idosos, no entanto, pedem que deixem Riina "descansar em paz" e que a cidade "não volte a ser o local das câmaras".   

(ANSA)
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