Com esquerda dividida,Piñera é favorito no Chile (2)

SÃO PAULO, 18 NOV (ANSA) - Por Lucas Rizzi e Tatiana Girardi - (continuação)- Esquerda dividida - De fato, dois oito candidatos a presidente do Chile, cinco são de centro-esquerda ou esquerda, e uma, Carolina Goic, da Democracia Cristã, que apoiou as duas eleições de Bachelet. O principal deles é o senador Alejandro Guillier, da coalizão governista Nova Maioria e que aparece em segundo nas pesquisas, com 15% das intenções de voto.   

Também jornalista, Guillier lutará para tentar manter o legado de Bachelet no Chile e, apesar de todas as sondagens preverem sua derrota no segundo turno para Piñera, ele promete focar seu governo nas conquistas sociais dos últimos anos. Entre seus principais motes da campanha, está o aprofundamento da reforma na educação, iniciada por Bachelet em seu segundo mandato, e a alteração da Constituição herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).   

Antes de se candidatar à Presidência, Guillier, 64 anos, contava com três décadas de jornalismo televisivo e de rádio, tendo atuado desde a produção de matérias até a apresentação de telejornais. Uma das ironias da campanha de 2017 é que, durante três anos, o candidato da centro-esquerda trabalhou na emissora "Chilevisión", que tinha Piñera como dono. Na política há apenas quatro anos, o também sociólogo busca usar sua popularidade como forma de angariar votos. Guillier tornou-se senador em 2014 e sempre contou com um forte apoio do Partido Radical, que faz parte da coalizão governista. Ele disputaria as primárias da Nova Maioria, mas a votação acabou cancelada após a retirada da candidatura do ex-presidente Ricardo Lagos e a decisão da Democracia Cristã de lançar sua própria postulante ao Palácio de la Moneda.   

Alguns aliados, à época da escolha, criticaram a decisão da coalizão de seguir em frente com Guillier. O senador socialista Carlos Montes chegou a classificar a opção como um "erro histórico" da centro-esquerda chilena.   

Líderes jovens - Uma das responsáveis por roubar intenções de voto do candidato governista é Beatriz Sánchez, jornalista de 46 anos que disputa a Presidência pela coalizão de esquerda Frente Ampla. No entanto, ela também não empolga.   

Sánchez tem apenas 8,5% nas pesquisas e seu nome só virou presidenciável porque os principais líderes das manifestações estudantis de 2011, Giorgio Jackson, Gabriel Boric e Camila Vallejo, não podem disputar o cargo por ter menos de 40 anos.   

"Alguns dos líderes mais carismáticos da esquerda não conseguiram se candidatar, isso explica a fraqueza da esquerda no Chile. Se Jackson fizer um bom trabalho, é uma pessoa que pode ser presidente daqui a 10 anos. Mas essa geração ainda é muito jovem", explica Stuenkel.   

O quarto colocado nas pesquisas, com cerca de 8% das intenções de voto, também é de esquerda: Marco Enríquez-Ominami.   

Dissidente socialista, ele é um dos fundadores do Partido Progressista e tem uma longa militância de centro-esquerda.   

Ominami é filho de um médico e de uma jornalista filiados ao Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR), reconhecido como partido no governo de Salvador Allende, mas que voltou à clandestinidade assim que Pinochet assumiu o poder.   

Aos cinco meses de idade, ele foi exilado com os pais pelo regime militar para a França. Além de atuar na política, o candidato é cineasta e já foi eleito deputado federal. É considerado um "rebelde" da esquerda do país e tenta buscar votos no enfraquecimento do Partido Socialista. Além de Piñera, Guillier, Sánchez, Ominami e Goic, o Palácio de la Moneda é disputado por José Antonio Kast (direita), Alejandro Navarro (esquerda) e Eduardo Artés (esquerda).   

Para ser eleito no primeiro turno, um candidato precisa obter pelo menos 50% dos votos. Caso ninguém alcance esse resultado, haverá um segundo turno, em 17 de dezembro. Mas uma coisa é certa: o vencedor herdará um país difícil de governar, como fica claro nos fracassos dos últimos presidentes em fazer seus sucessores.   

"É muito difícil governar o Chile. Em reuniões, não é incomum ouvir nos bastidores a frase de que o Chile é um país ingovernável. É difícil avançar com projetos maiores, difícil conseguir maioria no Congresso. Isso gera frustração", completa o professor da FGV. (ANSA)
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