Novo governo do Zimbábue frustra anseios por mudanças

SÃO PAULO, 04 DEZ (ANSA) - Tomou posse nesta segunda-feira (4) o gabinete de 22 ministros do novo presidente do Zimbábue, Emmerson Mnangagwa, um grupo formado majoritariamente por militares e expoentes da velha guarda do partido Zanu-PF, que interrompeu os 37 anos do antigo aliado Robert Mugabe no poder.   

O perfil dos ministros escolhidos por Mnangagwa decepcionou aqueles que esperavam alguma mudança no país africano, como sindicalistas e as milhares de pessoas que celebraram na capital Harare após a queda do velho mandatário.   

O general-maior Sibusiso Moyo, porta-voz das Forças Armadas e rosto da intervenção que culminou na queda de Mugabe, foi nomeado ministro das Relações Exteriores, enquanto o chefe da pasta de Finanças, Patrick Chinamasa, foi mantido no governo, assim como outros oito ministros do ex-presidente.   

Já o marechal da Aeronáutica Perence Shiri foi alocado no Ministério de Agricultura - o militar esteve diretamente envolvido no assassinato de 20 mil oposicionistas em Matabeleland, no início dos anos 1980, por uma brigada treinada pela Coreia do Norte. O líder dos veteranos de guerra, Chris Mutsvangwa, se tornou ministro da Informação.   

Uma organização de sindicatos zimbabuanos já declarou que os trabalhadores estão "muito decepcionados" com o gabinete de Mnangagwa, ex-vice-presidente que havia sido destituído por Mugabe e que acabou articulando um golpe para derrubar o mandatário mais longevo do mundo.   

A oposição esperava que alguns de seus representantes fossem colocados em um governo de transição até as eleições do ano que vem. Mugabe renunciou em 21 de novembro, após ter passado uma semana sob custódia do Exército - ele comandava o Zimbábue desde 1980, primeiro como premier (1980-1987) e depois como presidente (1987-2017).   

Aos 93 anos, Mugabe pretendia transferir o poder para sua esposa, Grace, que não tinha ligações profundas com a velha guarda de seu partido, o Zanu-PF. (ANSA)
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