'É a coisa certa a ser feita', diz Trump sobre Jerusalém

NOVA YORK, 06 DEZ (ANSA) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou as especulações que circulavam desde sua posse e reconheceu nesta quarta-feira (6) Jerusalém como capital de Israel.   

Além disso, determinou a transferência da embaixada norte-americana no país de Tel Aviv, onde estão todas as outras representações diplomáticas estrangeiras, para a milenar cidade que está no centro das três maiores religiões monoteístas do mundo.   

O anúncio foi feito durante um pronunciamento na Casa Branca, no qual Trump afirmou que sua medida, que provocou reações furiosas nos palestinos e no mundo árabe e críticas da União Europeia, tem como objetivo promover a "paz".   

"Isso não é nada mais nem menos do que o reconhecimento da realidade e a coisa certa a ser feita. É algo que tem de ser feito", declarou o presidente dos Estados Unidos, remetendo a uma lei aprovada pelo Congresso em 1995, que prevê o reconhecimento de Jerusalém como capital israelense e a mudança de sede da embaixada.   

Desde então, todos os presidentes, tanto os democratas Bill Clinton e Barack Obama quanto o republicano George W. Bush, se recusaram a implantar o texto, se aproveitando de uma brecha para postergar as medidas indefinidamente. "Quando cheguei à Presidência, prometi olhar o mundo com olhos abertos e pensamentos novos. Antigos desafios precisam de uma nova abordagem. Meu anúncio marca o início de uma nova abordagem no conflito entre Israel e palestinos", disse Trump, acrescentando que "alguns" dizem que "talvez tenha faltado coragem" a seus antecessores.   

Segundo o magnata, depois de duas décadas de renúncia à lei de 1995, o Oriente Médio não está mais perto de um acordo de paz.   

"Seria absolutamente uma loucura acreditar que repetir essa fórmula traria um resultado diferente", justificou.   

Trump ainda afirmou que a embaixada em Jerusalém, quando estiver pronta, será "um tributo magnífico à paz" e que seu governo está comprometido com um "grande acordo entre israelenses e palestinos" e com a "solução dos dois Estados", desde que ela satisfaça ambos os lados.   

"Jerusalém não é apenas o coração de três grandes religiões, mas também o coração de uma das mais bem sucedidas democracias do mundo", reforçou. Atualmente, a sede do governo e do Parlamento de Israel ficam na cidade, assim como a Suprema Corte e as residências oficiais do presidente e do primeiro-ministro. No entanto, nenhum país possui embaixada em Jerusalém.   

"A decisão de Trump é histórica, um ato justo e corajoso", comentou o premier Benjamin Netanyahu.   

Disputa - Na visão dos Palestinos, não pode existir um Estado seu que não tenha Jerusalém Oriental como capital. Já o governo de Israel sequer reconhece a existência desse termo e diz que só há "uma Jerusalém".   

No entanto, Jerusalém Oriental, predominantemente árabe, é considerada pela maior parte da comunidade internacional como uma "ocupação" desde 1967, quando foi anexada pelos israelenses.   

Todos os países que se pronunciaram se mostraram unânimes em condenar a decisão de Trump, ainda antes de seu anúncio.   

A começar pelas nações muçulmanas, convocadas pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, para uma cúpula extraordinária em 13 de dezembro, que reunirá até os arqui-inimigos Irã e Arábia Saudita.   

O papa Francisco também se manifestou e, sem citar Trump, pediu a manutenção do "status quo" de Jerusalém, em "conformidade com as resoluções das Nações Unidas". Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Angelino Alfano, se mostrou contrariado com a decisão e disse estar "preocupado".   

No Twitter, o premier Paolo Gentiloni afirmou que o futuro da cidade deve ser definido em um "acordo de paz baseado nos dois Estados". A União Europeia e a Rússia também condenaram a mudança da sede da embaixada.   

Há o temor de que o anúncio do presidente dos EUA inflame os ânimos dos palestinos e aumente a violência no Oriente Médio. O grupo fundamentalista Hamas já disse que iniciaria uma "intifada" - palavra árabe para "revolta" - caso a decisão de Trump se confirmasse.   

Nos próximos dias, o presidente enviará seu vice, Mike Pence, para tentar reduzir a tensão no Oriente Médio. (ANSA)
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