Fascistas atacam jornal e denunciam 'genocídio italiano'

ROMA, 06 DEZ (ANSA) - Militantes do movimento neofascista Força Nova (FN) protestaram com sinalizadores em frente à sede do jornal "la Repubblica" e da revista "L'Espresso", em Roma, e declararam uma "guerra política" contra o grupo editorial e o Partido Democrático (PD), legenda de centro-esquerda que governa a Itália.   

Com roupas pretas, máscaras e bandeiras, os neofascistas pediram boicote ao jornal e à revista e disseram representar "cada italiano traído por quem defende o jus soli, a invasão e a substituição étnica".   

O grupo é radicalmente contra o projeto de lei do PD, em tramitação no Parlamento, que concede o direito à cidadania a filhos de imigrantes nascidos na Itália, desde que a família respeite critérios de tempo de moradia no país e conhecimento do idioma italiano.   

"O grupo de [Carlo De] Benedetti, sob as ordens de Soros, Renzi e Boldrini, é a voz de quem está promovendo o genocídio do povo italiano. Roma e a Itália serão defendidas com ação, ombro a ombro. Se necessário, a chutes e socos", diz a "declaração de guerra" do FN.   

O texto faz referência a Carlo De Benedetti, dono do grupo que publica "la Repubblica" e "l'Espresso"; ao magnata húngaro George Soros, acusado pela extrema direita de financiar movimentos de esquerda pelo mundo; ao ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, líder do PD; e à presidente da Câmara dos Deputados, Laura Boldrini, uma das maiores defensoras do jus soli.   

"Esse foi o primeiro ataque contra quem defende o verbo imigracionista e serve aos interesses de ONGs e verdadeiras máfias. Hoje começou a defesa dos patriotas contra o veneno desses terroristas disfarçados de jornalistas", acrescenta o Força Nova, que promete novos atos para os próximos dias. O presidente da República, Sergio Mattarella, expressou "solidariedade" aos jornalistas do diário e da revista atingidos pelo protesto, e o primeiro-ministro Paolo Gentiloni telefonou para o diretor de "la Repubblica", Mario Calabresi. "Foi um ato criminoso e inaceitável", disse o ministro do Interior, Marco Minniti.   

O Força Nova é um movimento sem representação no Parlamento e que já promoveu diversos atos contra imigrantes na Itália.   

Recentemente, tentou reviver a "Marcha sobre Roma", histórica passeata que forçou o rei Vittorio Emanuele III a entregar o governo a Benito Mussolini, em 1922, mas a manifestação foi proibida pelas autoridades. (ANSA)
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