Papa faz apelo por respeito de 'status quo' de Jerusalém

CIDADE DO VATICANO, 6 DEZ (ANSA) - No dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve fazer um anúncio histórico para transferir a embaixada do país para Jerusalém, o papa Francisco fez um duro apelo hoje (6) contra a medida, alegando que ela pode provocar "novos elementos de tensões". "O meu pensamento vai, agora, para Jerusalém. Não posso deixar de expressar minha profunda preocupação pela situação que foi criada nos últimos dias e, ao mesmo tempo, fazer um sincero apelo para que todos se empenhem em respeitar o 'status quo' da cidade, em conformidade com as resoluções das Nações Unidas", disse o líder católico na semanal audiência geral, no Vaticano. Jorge Mario Bergoglio pediu "sabedoria e prudência para evitar novos elementos de tensões e um panorada mundial já convulsivo, marcado por tantos e crueis conflitos".   

Mais cedo, o Papa se reuniu com religiosos palestinos e afirmou que o "diáologo e o respeito" devem ser recíprocos.   

"Quem não sofre com o irmão sofrente, mesmo ele sendo de outra raça ou religião, língua ou cultura, deve se questionar sobre a sinceridade da sua fé e da sua humanidade". Trump deve anunciar hoje sua decisão de transferir a embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém. A medida tem sido duramente criticada por países árabes, já que, na prática, mostra que os EUA reconhecem que Jerusalém pertence a Israel. A cidade de Jerusalém é considerada sagrada para várias religiões. Com uma população de 857 mil pessoas, Jerusalém é composta por 64% de judeus, 32% de muçulmanos e 2% de cristãos. Embora o Parlamento israelense e prédios do governo estejam em Jerusalém, nenhuma embaixada estrangeira fica na cidade, já que a capital reconhecida internacionalmente de Israel é Tel Aviv. A maioria dos países mantém uma posição neutra em relação a Jerusalém e apoiam o status de "corpus separatum", sugerido desde 1947 pelas Nações Unidas e o qual prevê que a cidade seja um "regime internacional" devido à sua importância para várias religiões.   

Apesar disso, Israel já aprovou, nos anos 1980, uma lei que estabelecia que Jerusalém era sua capital. A norma, no entanto, foi rejeitada pela ONU. O lado oeste de Jerusalém pertence a Israel desde que o país foi criado, em 1948. Mas a parte leste, onde a população é predominantemente árabe, foi ocupada por tropas israelenses durante a guerra de 1967. E os palestinos querem fundar lá a futura capital do país que pretendem criar.   

O enviado especial da ONU para o Médio Oriente, Nickolay Mladenov, disse hoje que o futuro estatuto de Jerusalém deve ser negociado. "O futuro de Jerusalém é um assunto que deve ser negociado entre israelenses e palestinos em negociações diretas", sugeriu. (ANSA)
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