Catalunha começa a contar votos de eleição acirrada

BARCELONA, 21 DEZ (ANSA) - Pesquisa de boca de urna realizada pelo instituto GAD3 mostra que os separatistas conseguirão maioria no Parlamento da Catalunha.   

Encomendado pelo jornal "La Vanguardia", o levantamento diz que a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), liderada por Oriol Junqueras, terá entre 34 e 36 dos 135 assentos no poder legislativo regional.   

Já a lista Juntos pela Catalunha, do presidente destituído Carles Puigdemont, terá entre 28 e 29, enquanto o partido Candidatura de Unidade Popular (CUP) conquistará de cinco a seis assentos. Se esses números se confirmarem, os separatistas terão maioria no Parlamento, ainda que por uma margem estreita.   

Já a legenda de direita Cidadãos (CS) desponta como a mais votada, obtendo de 34 a 37 assentos, de acordo com a pesquisa de boca de urna. Por sua vez, o Partido dos Socialistas da Catalunha (PSC), que era a favor do plebiscito de independência, mas não da separação, terá de 18 a 20.   

O Partido Popular (PP), do primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, não deve obter mais do que cinco cadeiras. O movimento da prefeita de Barcelona, Ada Colau, Catalunha em Comum, deve ficar com sete ou oito assentos no Parlamento.   

Crise - As eleições na Catalunha foram antecipadas após o governo da Espanha ter acionado o artigo 155 da Constituição por causa da declaração unilateral de independência aprovada em meados de outubro, resultado do plebiscito do dia 1º do mesmo mês.   

Por meio desse instrumento, Madri dissolveu o Parlamento regional e destituiu o então presidente da comunidade autônoma, Carles Puigdemont, e seu vice, Oriol Junqueras, além de todos os secretários regionais.   

Desde então, a Catalunha está sob administração espanhola. Madri também iniciou uma cruzada nos tribunais contra os idealizadores do plebiscito, que culminou na prisão de Junqueras, de outros membros do governo regional e de líderes de movimentos pró-independência, acusados de "rebelião".   

Já Puigdemont, para escapar da cadeia, se autoexilou na Bélgica com quatro ex-secretários e lá permanece até hoje. No cenário atual, o líder do segundo partido mais votado, Junqueras, está preso, e o do terceiro, Puigdemont, exilado. Embora denunciados, eles não foram impedidos de disputar as eleições regionais.   

Como os separatistas desconfiam de Madri, a contagem dos votos também será feita pela Assembleia Nacional Catalã (ANC), entidade da sociedade civil até pouco tempo atrás presidida por, Jordi Sánchez, um dos presos sob acusação de rebelião - ele também é o "número 2" na lista de Puigdemont nas eleições.   

Independentemente do vencedor, o novo governo deve ser empossado em janeiro de 2018, mas ainda resta muita incerteza sobre qual será a relação da região com Madri, após a crise institucional que abalou o país em 2017. (ANSA)
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