Presidente concede 'indulto humanitário' a Fujimori

LIMA, 25 DEZ (ANSA) - O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, concedeu no último domingo (24), véspera de Natal, "indulto humanitário" ao ex-mandatário do país Alberto Fujimori (1990-2000), que cumpria pena de 25 anos de prisão por violações dos direitos humanos, corrupção e apoio a esquadrões da morte.   

Em um comunicado, Kuczynski disse que foi motivado por razões "humanitárias", após médicos terem diagnosticado que Fujimori, 79 anos, sofre de problemas "incuráveis e degenerativos". A decisão chega poucos dias depois de o presidente, acusado de receber propina da Odebrecht, ter se livrado, por apenas oito votos, de um pedido de impeachment no Congresso.   

Um dos que se abstiveram da votação, contribuindo para a manutenção de Kuczynski no poder, foi o deputado Kenji Fujimori, filho do ex-mandatário. Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000, ainda é uma figura polarizadora no país.   

Alguns o louvam por ter derrotado a guerrilha maoista Sendero Luminoso, enquanto outros o desprezam por ter violado direitos humanos. Sua filha, Keiko Fujimori, que quase venceu as últimas eleições presidenciais e cujo partido domina o Congresso, celebrou o indulto como um "grande dia para o fujimorismo".   

"Finalmente meu pai está livre. Será um Natal de esperança e alegria", disse. No último sábado (23), Fujimori havia sido internado com taquicardia em uma clínica privada em Lima, após ter se sentido mal na prisão.   

O ex-presidente pedira "perdão humanitário" há mais de um ano, citando a "deterioração" de sua saúde. Em sua conta no Twitter, ele disse que sofre de arritmia, condição que causou diversas internações em 2017.   

Protestos - A libertação de Fujimori já provocou reações no país, com eleitores chamando Kuczynski de "traidor". O diretor-executivo da ONG Human Rights Watch nas Américas, José Miguel Vivanco, afirmou que a soltura foi uma "vulgar negociação política em troca da permanência do PPK [iniciais de Pedro Pablo Kuczynski] no poder".   

Já a Anistia Internacional criticou a "falta de transparência" na concessão do indulto. A lei peruana determina que nenhuma pessoa condenada por assassinato ou sequestro possa receber perdão presidencial, com exceção de casos de doença terminal.   

Três pedidos anteriores de Fujimori já haviam sido rejeitados porque os médicos detectaram que ele não sofria de patologias incuráveis ou de desordem mental severa.   

O ex-presidente cumpria pena desde 2009 por seu papel no assassinato de 25 pessoas, incluindo um menino de oito anos, durante seu governo. Ele também foi condenado por financiar esquadrões da morte que assassinavam civis acusados de ligação com o Sendero Luminoso. (ANSA)
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