Retrospectiva/ 2017, o ano nuclear da Coreia do Norte

SÃO PAULO, 26 DEZ (ANSA) - Por Luciana Ribeiro - A Coreia do Norte deixou o mundo em alerta durante todo o ano de 2017, com sua série de lançamentos de mísseis e o maior teste nuclear da história, em uma tentativa de atingir, e intimidar, seu maior adversário: os Estados Unidos. Pyongyang e Washington estão em uma batalha verbal há vários anos, mas a situação se tornou mais grave desde a eleição de Donald Trump à Casa Branca. Em janeiro, o governo do ditador Kim Jon-un começou a avançar com seus testes balísticos. Após terminar 2016 com dois testes malsucedidos, o líder norte-coreano encerrará este ano com um total de sete mísseis lançados. No dia 3 de setembro, Pyongyang realizou o seu teste mais potente, com o que seria uma bomba de hidrogênio.   

"A Coreia do Norte avançou no seu objetivo de ser reconhecida como uma potência nuclear. Mas ela não teve pleno reconhecimento por parte da comunidade internacional", explicou Maurício Loboda, professor de Relações Internacionais da Universidade Mackenzie.   

Apesar da unanimidade nas críticas ao redor do mundo, o país manteve o desenvolvimento de seus programas militares. Segundo o especialista, "a Coreia do Norte investiu em programa nuclear como justificativa para conseguir um armamento que consiga ameaçar os norte-americanos a ponto de que eles não ataquem o país".   

Por sua vez, na tentativa de sufocar ainda mais o regime-norte coreano, Trump e a União Europeia (UE), além da Organização das Nações Unidas (ONU), anunciaram diversas sanções contra o governo de Kim ao longo do ano. A medida ampliou a retaliação a pessoas, empresa e entidades que mantiverem transações com o país comunista.   

No entanto, "a rapidez com que evoluíram os programas de Pyongyang levantou algumas suspeitas, principalmente sobre a China trabalhar ativamente na política nuclear da Coreia do Norte, fornecendo equipamentos", disse à ANSA o norte-americano Gordon Chang, analista de Ásia Oriental e o autor do livro "O Desafio Nuclear da Coreia do Norte sobre o risco de uma guerra atômica". Segundo o analista, o presidente chinês, Xi Jinping, "estaria alimentando o governo de Pyongyang com transferências de armas, equipamentos e tecnologias importantes".   

Os mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs, na sigla em inglês) que o ditador norte-coreano disparou nos dias 4 e 28 de julho, e os quais sobrevoaram o Mar do Japão, foram transportados em lançadores móveis chineses, de acordo com sua teoria. "Esses lançadores móveis tornam a Coreia do Norte uma ameaça real, já que seus mísseis podem ficar escondidos", explicou o analista.   

No último dia 28 de novembro, Pyongyang lançou outro míssil balístico intercontinental capaz de atingir o território dos Estados Unidos. Este foi o primeiro teste do tipo desde 15 de setembro e anulou as esperanças de que a Coreia do Norte abra as portas para uma solução negociada para a crise nuclear.   

"Para a Coreia do Norte é essencial, faz parte de uma estratégia de sobrevivência, essa política nuclear. O objetivo principal disso é estimar o seu governo frente à população, porque, para eles, é essencial que as pessoas sintam uma ameaça de guerra constante e iminente para que apoie essa política armamentista", explicou Loboda.   

Em meio à troca de ameaças entre Estados Unidos e Coreia do Norte, a China passou o ano pedindo moderação aos dois lados.   

Inclusive, as relações entre China e Coreia do Sul amargaram um pouco depois que Pequim reagiu mal ao desenvolvimento de um programa de testes de mísseis de defesa norte-americanos. A disputa dificultou os esforços para coordenar uma resposta da região contra o avanço da tecnologia nuclear e de mísseis balísticos da Coreia do Norte. A China, por diversas vezes, chegou a sugerir que a Coreia do Norte interrompesse suas atividades nucleares e que os Estados Unidos, em troca, suspendessem seus exercícios militares na região. No ano de 2017, as ações do governo norte-coreano, assim como as polêmicas declarações do líder da Casa Branca, trouxeram o mundo mais perto de uma guerra nuclear. "O risco de guerra existe, mas seria ruim para todo mundo. Ela seria devastadora para a Coreia do Norte e teria um custo muito alto para os Estados Unidos", ressaltou o especialista do Mackenzie.   

Desta forma, a série de testes não tem passado de meras provocações. "Para os dois lados, não é interessante chegar à guerra", finalizou Loboda. (ANSA)
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