Retrospectiva/O ano que as mulheres denunciaram o assédio(2)

SÃO PAULO, 26 DEZ (ANSA) - CONTINUAÇÃO - Desdobramentos - O que tem acontecido depois dessas denúncias é algo nunca antes registrado na história da indústria cinematográfica, e as consequências ainda estão longe de serem mensuráveis, mas revela uma mudança recente no comportamento das grandes companhias.   

O cancelamento da série da Netflix "House of Cards" e a expulsão de Weinstein do Oscar são exemplos disso. Inclusive, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, responsável pela premiação, adotou um código de conduta e alertou seus membros de que se reserva o direito de expulsar qualquer um que ignore as novas regras.   

"A partir do momento que você precisa criar um código de conduta para avisar as pessoas de que assédio é crime, é um sinal de alerta, justamente porque existem vários casos. E se existem, é porque, talvez, as pessoas não saibam conviver em sociedade", explicou Sbragia à ANSA."O principal problema do assédio é a pessoa achar que ela tem o direito sobre o outro. É importante ter o código, vai ser uma referência. É uma maneira da indústria sinalizar que está ciente", acrescentou.   

Outra transformação que o caso Weinstein trouxe à tona foi a coragem das atrizes em relatar suas vivências de abusos. Assim que os escândalos vieram a público, diversas personalidades começaram a usar as redes sociais para apoiar as denúncias ou detalhar o que viveram por meio da #Metoo.   

A revista "Time" chegou a consagrar como personalidade do ano as mulheres que romperam o silêncio. "Eu acredito que é um movimento que tem tido maior visibilidade, que tem engajado mulheres de todas as partes. Isso demonstra que a violência contra a mulher não é mais aceitável e tem que ter consequências", finaliza Gasman. Casos de abusos no Brasil - De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto YouGo, 86% das mulheres brasileiras sofreram assédio em público em suas cidades. A região centro-oeste é onde as mulheres mais sofreram assédio nas ruas, com 92% de incidência. Em seguida, está o norte (88%), nordeste e sudeste (86%) e sul (85%).   

Em relação às formas de assédio sofridas em público pelas brasileiras, o assobio é o mais comum (77%), seguido por olhares insistentes (74%), comentários de cunho sexual (57%) e xingamentos (39%). Metade das mulheres entrevistadas no Brasil disse que já foi seguida nas ruas, 44% tiveram seus corpos tocados, 37% disseram que homens se exibiram para elas e 8% foram estupradas em espaços públicos.   

Neste ano, entre os casos de maior repercussão no país, está o de um homem que foi detido ao ejacular em uma mulher no ônibus, em São Paulo. A Justiça soltou o acusado, Diego Ferreira de Novais, pouco depois e, na semana seguinte, ele foi preso novamente ao repetir o crime. Já no cenário do entretenimento, o ator José Mayer, da TV Globo, foi acusado de assédio sexual pela figurinista Su Tonani, de 28 anos. Ela acusou o ator de tê-la assediado por meses e ter tocado suas partes íntimas. Além de ser afastado das novelas por tempo indeterminado, o ator fez uma carta aberta pedindo desculpas. (ANSA)
Veja mais notícias, fotos e vídeos em www.ansabrasil.com.br.


Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

UOL Newsletter

Receba por e-mail as principais notícias sem pagar nada.

Quero Receber

UOL Cursos Online

Todos os cursos