Bombas italianas foram usadas contra civis no Iêmen

ROMA E NOVA YORK, 29 DEZ (ANSA) - Bombas fabricadas na Itália e vendidas à Arábia Saudita foram usadas contra civis no Iêmen, país da Península Arábica que está em guerra civil desde 2015.   

A denúncia foi publicada pelo jornal norte-americano "The New York Times", em uma videorreportagem com o título "Bombas italianas, mortos iemenitas". Segundo o diário, os explosivos foram produzidos em uma fábrica da empresa RWM na ilha da Sardenha e exportados para Riad, que lidera uma ofensiva contra rebeldes xiitas houthis na nação vizinha.   

O "NYT" questiona se a venda das armas pela Itália não viola leis internacionais e até nacionais - o país europeu possui uma rigorosa legislação que proíbe a comercialização de armamentos para nações envolvidas em conflitos, como é o caso da Arábia Saudita.   

Além disso, tratados internacionais vetam a exportação de armas para países onde haja uma clara situação de violação dos direitos humanos. As imagens exibidas pela publicação norte-americana mostram diversas vítimas civis, inclusive crianças, supostamente atingidas por bombas italianas.   

O jornal chegou a essa conclusão a partir de fragmentos dos explosivos, que comprovariam sua origem sarda. "Aquilo que foi reportado pelo 'New York Times' é um caso já conhecido, sobre o qual o governo já forneceu esclarecimentos no Parlamento", disseram fontes do Ministério das Relações Exteriores da Itália.   

Segundo Roma, a Arábia Saudita não está sujeita a "qualquer forma de embargo, sanção ou outra medida restritiva". Na visão italiana, a exportação para Riad está dentro da lei, ainda que a monarquia esteja envolvida diretamente no conflito iemenita.   

No início do ano, a ONG Anistia Internacional já havia feito denúncia semelhante em relação ao Brasil, acusando a coalizão saudita de usar munições cluster - que se abrem no ar e despejam bombas no solo - fabricadas no país latino contra rebeldes iemenitas.   

Conflito - Segundo as Nações Unidas, a guerra no Iêmen, iniciada em 2015, já provocou mais de 8,6 mil mortes. De um lado, está o presidente Abd Rabbo Mansur Hadi, apoiado pela Arábia Saudita e pelas outras monarquias sunitas da região; do outro, os houthis, que contam com suporte dos xiitas Irã e Hezbollah.   

A guerra agravou a já difícil situação de um dos países mais pobres do mundo, onde 20 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária. (ANSA)
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