Papa pede diálogo e defende status de Jerusalém (2)

CIDADE DO VATICANO, 8 JAN (ANSA) - Continuação - Em outro ponto do discurso, o Papa lembrou da crise política, econômica e social da Venezuela, ressaltando que a situação só poderá ser resolvida "a partir do interior do contexto nacional, com a abertura e a disponibilidade do encontro".   

"Penso especialmente na minha querida Venezuela, que está atravessando uma crise política e humanitária sempre mais dramática e sem precedentes. Enquanto a Santa Sé exorta a responder sem demora às necessidades primárias da população, deseja que se criem condições para que as eleições previstas para o ano em curso sejam capazes de iniciar a solução para os conflitos existentes. Assim, pode-se olhar com serenidade para o futuro", ressaltou. Durante os dois últimos anos, o Vaticano tentou, sem sucesso, intermediar conversas entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição para tentar por fim à crise. Os debates fracassaram, no entanto, após o presidente não marcar eleições conforme o prometido e, entre outras coisas, se negar a abrir corredores humanitários para os mais necessitados.   

- Imigrantes: Um dos pontos mais batidos durante os seus discursos em seus quase cinco anos de Pontificado, a imigração também ganhou destaque no discurso ao Corpo Diplomático.   

"Hoje se fala muito dos imigrantes e de imigração apenas para suscitar medos ancestrais. As migrações sempre existiram. Na tradição judeu-cristã, a história da salvação é essencialmente uma história de imigração. A liberdade de movimento, como aquela de deixar o próprio país e de voltar para ele pertence aos direitos fundamentais do homem", afirmou o líder católico.   

Continuando com sua fala, ele ressaltou que "apesar da retórica de medo difundida" pelo mundo, é preciso considerar que "diante de nós estão, acima de tudo, pessoas".   

"Não se pode esquecer a situação de famílias despedaçadas por causa da pobreza, das guerras e das migrações. Nós temos muitas vezes, diante de nossos olhos, o drama das crianças que vagam sozinhas até as fronteiras que separam o sul do norte do mundo, sofredoras do tráfico de seres humanos", ressaltou.   

Lembrando de seu discurso pelo Dia Mundial da Paz, ele destacou que "mesmo reconhecendo que nem todos estão com as melhores intenções, não se pode esquecer que a maior parte dos imigrantes preferia ficar em suas próprias terras, enquanto são obrigados a deixá-la por causa de discriminações, perseguições, pobreza e destruição ambiental".   

"Praticando a virtude da prudência, os governantes devem saber acolher, promover, proteger e integrar, estabelecendo medidas práticas para aquela reinserção. Quero agradecer, novamente, aos líderes daquelas nações que neste anos forneceram assistência aos inúmeros imigrantes que chegaram às suas fronteiras", disse ainda.   

"Desejo, em particular, exprimir uma gratidão particular à Itália que, neste anos, mostrou um coração aberto e generoso e soube oferecer exemplos positivos de integração", disse ainda.   

- Direitos Humanos: Em outro ponto de sua fala, Francisco voltou a defender os direitos humanos, entre os quais "a liberdade de pensamento, de consciência e de religião, que inclui ainda a liberdade de mudar de religião".   

"Infelizmente, é conhecido como o direito de liberdade de religião é muitas vezes rejeitado e também se sabe que o direito à religião é usado para justificar, ideologicamente, novas formas de extremismos ou de um pretexto para a marginalização social, se não uma forma de perseguição aos que creem", ressaltou.   

"A construção da sociedade, inclusive, exige como sua condição uma compreensão integral da pessoa humana, que deve se sentir verdadeiramente acolhida quando é reconhecida e aceitada em todas as suas dimensões que constroem a identidade", afirmou.   

(ANSA)
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