Itália e França querem lançar tratado europeísta

ROMA, 10 JAN (ANSA) - Com o impasse político na Alemanha, Itália e França querem unir forças para elaborar um documento bilateral que solidifique as relações entre os dois países e lance as bases para a "retomada" da União Europeia.   

Segundo fontes do governo italiano, o primeiro-ministro Paolo Gentiloni e o presidente Emmanuel Macron formarão um "grupo de trabalho" para formular a declaração, que já é chamada de "Tratado do Quirinale", em referência à sede da Presidência da República da Itália.   

O texto seguirá o modelo de um documento semelhante firmado por Alemanha e França em 1963, que selou a reconciliação definitiva de dois países que lutaram em lados opostos em diversas guerras.   

Atualmente, o eixo franco-alemão é o principal motor da UE, mas a Itália vem tentando se inserir nesse clube.   

Fundadora do bloco, Roma quer aproveitar a saída do Reino Unido e a crise política que impede a formação de um novo governo na Alemanha desde setembro para fortalecer seu papel de liderança na Europa.   

O Tratado do Quirinale foi debatido durante uma visita de Macron a Gentiloni nesta quarta-feira (10), deixando para trás as desavenças do ano passado, principalmente em relação ao ativismo francês na Líbia, ex-colônia italiana, e à nacionalização do estaleiro STX, que seria comprado pela estatal Fincantieri.   

A ideia da declaração bilateral já havia sido lançada em setembro passado, em Lyon, quando Macron e Gentiloni defenderam a "refundação" da União Europeia. O plano é concluir o documento até o próximo encontro intergovernamental entre os dois países, que será sediado pela Itália em 2018.   

Em resumo, o objetivo do tratado será coordenar as relações bilaterais sobre uma série de questões, desde a agenda europeia até temas culturais e econômicos. A formulação do documento dependerá também do resultado das eleições italianas de 4 de março, mas, de forma geral, todos os partidos, até os eurocéticos, enxergam um vácuo para o país ocupar na UE.   

Mediterrâneo - A visita de Macron a Roma se deu por ocasião de uma cúpula de sete nações da costa mediterrânea da Europa, que também reuniu os líderes de Espanha, Portugal, Malta, Grécia e Chipre.   

Durante o encontro, os sete países propuseram a realização de consultas populares por toda a UE, a partir da próxima primavera boreal, para ouvir os cidadãos sobre o futuro do bloco. "Estamos todos de acordo sobre a necessidade dessas consultas, para estarmos certos de que será um debate democrático", disse Macron.   

Além disso, os países cobraram "solidariedade" no combate à crise migratória, que recai sobretudo sobre os Estados-membros mediterrâneos.   

"Os países do sul da Europa estão particularmente preocupados, a partir do momento em que estão na primeira linha das fronteiras da UE. Nosso papel fundamental na proteção das fronteiras e o peso dessa tarefa devem ser reconhecidos e compartilhados", diz a declaração final da cúpula. (ANSA)
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