Itália e França lançam acordo para reforçar parceria bilateral

ROMA, 11 JAN (ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, recebeu nesta quinta-feira (11) o presidente da França, Emmanuel Macron, e os dois anunciaram um "tratado bilateral" para reforçar as históricas ligações entre as duas nações.   

"Acredito que seja muito importante para as relações históricas entre Itália e França essa nossa decisão de dar uma estrutura mais estável e mais ambiciosa com a ideia de criar um grupo de trabalho para um Tratado Bilateral Ítalo-Francês", disse Gentiloni em coletiva de imprensa após a reunião a portas fechadas.   

De acordo com o premier, a ideia é "cooperar de maneira cada vez mais forte e sistemática em nossa relação" e o Tratado da Quirinale, em referência ao palácio presidencial italiano, é "um pequeno passo de importância histórica".   

"Itália e França renovam a sua fortíssima e tradicional amizade, projetando-a sobre o futuro da Europa. Nesse futuro, há um grande compromisso sobre os bens comuns, os bens públicos europeus, defesa, segurança e políticas migratórias comuns", destacou ainda o italiano.   

Por sua vez, Macron ressaltou que seu governo quer "continuar a fazer grande coisas com a Itália" e que "continuará com as ambições entre os nossos dois países e com as ambições europeias".   

O presidente francês aproveitou a oportunidade também para elogiar o anfitrião, destacando que agora que a Itália está entrando em período eleitoral, "quero destacar o quanto fiquei feliz em negociar com Paolo Gentiloni neste meses porque as suas ações na Itália e na Europa permitiram alcançar uma nova dinâmica".   

Ao ser questionado por um jornalista se a relação da França com a Itália estava em segundo plano em relação à Alemanha, Macron negou.   

"Há uma relação franco-alemã estrutural e na origem da Europa.   

Quando França e Alemanha não chegam a um acordo, a Europa não pode andar para frente. Mas, esse relacionamento não é exclusivo. A ligação com a Itália tem uma outra história, uma ligação cultural, uma amizade especial e pacífica. E não é concorrente ou inferior, mas perfeitamente complementar com aquela franco-alemã", destacou o presidente francês.   

- União Europeia: Europeístas convictos, os dois líderes destacaram a importância da União Europeia para o futuro do mundo e falaram sobre as mudanças que precisam ser feitas.   

"Queremos tornar a Europa mais soberana, unida e democrática", disse Macron ao falar dos desafios europeus.   

Ao ser questionado sobre as eleições italianas, que ocorrerão em 4 de março, e sobre o temor do avanço de movimentos eurocéticos, Macron se limitou a dizer que é o "povo italiano quem deverá decidir", mas que "uma Itália que acredita na Europa é algo bom e positivo para a própria Europa".   

Por sua vez, o premier italiano afirmou que não debateu com Macron sobre a política interna neste período eleitoral.   

"Certamente, todos nós esperamos que nossos países tenham uma grandíssima força na posição em apoio à perspectiva e ao projeto europeu. Mas, isso está no horizonte, não é uma posição de política interna", ressaltou o líder do governo de Roma.   

- Imigrantes: Outro tema abordado pelos dois líderes foi a questão da crise migratória, que continua a afetar a Itália de maneira intensa - mesmo com a redução de mais de 34% na chegada de deslocados em 2017.   

"Eu quero homenagear o anúncio da Itália de um deslocamento militar substancial ao Níger no âmbito dos compromissos já assumidos. Eu sei que há discussões, mas é importante porque isso está coerente com a política migratória e de segurança comum", destacou Macron.   

O acordo com o Níger prevê o envio de milhares de militares, além de ajuda financeira, para impedir o tráfico de pessoas e o terrorismo. O país africano é um dos principais caminhos para imigrantes de várias parte do continente que vão até a Líbia, de onde parte em barcos e botes para a perigosa travessia pelo Mar Mediterrâneo até a Itália.   

"A Itália fez um ótimo trabalho em 2017, para o qual rendo homenagens, para reduzir a desestabilização causada pelo fenômeno migratório. Eles têm o meu respeito pelo trabalho realizado", destacou ainda Macron.   

A referência é para uma série de acordo fechados com a Líbia, durante o ano passado, que reduziram drasticamente a chegada ao continente europeu. Apesar de criticado, por conta das denúncias contra os militares africanos, a redução de deslocados despencou desde julho do ano passado.   

Já Gentiloni destacou que o plano italiano é "reduzir o fluxo" para torná-lo mais seguro e mais simples de ser gerido por toda a Europa.   

"Aquilo que não podemos dizer aos cidadãos europeus é que o problema do fluxo migratório é algo que possa ser cancelado rapidamente. Precisamos acolher os refugiados que tem o direito ao asilo, precisamos acelerar os procedimentos e precisamos transformar o grande fenômeno migratório que vem da África de um fenômeno complementar e ilegal para um fenômeno gerenciável, seguro e legal", disse Gentiloni. (ANSA)
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