Assassinato de líder sérvio revive tensão étnica no Kosovo

BELGRADO, 16 JAN (ANSA) - A um mês do aniversário de 10 anos da declaração unilateral de independência do Kosovo, um assassinato ocorrido nesta terça-feira (16) voltou a aumentar a tensão com a Sérvia.   

Oliver Ivanovic, um conhecido líder da minoria sérvia no Kosovo, foi morto a tiros nesta manhã em Kosovska Mitrovica, no norte do país balcânico, provocando protestos de Belgrado e apelos à calma da comunidade internacional.   

Segundo o advogado da vítima, Nebojsa Vlajic, o crime ocorreu quando Ivanovic entrava na sede de seu partido. Um homem encapuzado e usando uma arma com silenciador disparou cinco tiros contra o líder sérvio.   

"Depois da emboscada, ele foi imediatamente levado a um hospital, mas todas as tentativas de reanimá-lo foram em vão", disse Vlajic. Um carro que teria sido usado na fuga do assassino foi encontrado carbonizado.   

Ivanovic havia recuperado sua liberdade poucos meses antes, após ter passado quase três anos na prisão por crimes de guerra contra albaneses, acusação que ele sempre negou. A sentença, de nove anos de cadeia, acabou anulada, e ele aguardava um novo julgamento.   

O crime arrisca elevar a tensão interétnica entre a maioria albanesa e a minoria sérvia no Kosovo, que declarou sua independência em 17 de fevereiro de 2008, de maneira unilateral.   

Até o momento, pouco mais de 110 países reconhecem a soberania kosovar - o Brasil não está entre eles.   

O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, qualificou o homicídio de Ivanovic como um "ato terrorista". "Encontraremos o assassino, já prometi à esposa de Oliver", garantiu o mandatário, que mostrou desconfiança em relação às autoridades de Pristina.   

"Vamos esperar para ver o que dirá a polícia do Kosovo, mas se não forem capazes de fazer seu trabalho, nós certamente o faremos", afirmou. Além disso, Belgrado retirou sua delegação que começaria nesta terça uma nova rodada de negociações com o Kosovo em Bruxelas, na Bélgica.   

O governo kosovar também condenou o assassinato e pediu tempo para as forças de segurança esclarecerem o crime. No entanto, o primeiro-ministro Ramush Haradinaj denunciou que o homicídio está sendo "explorado com fins políticos, para bloquear o processo de normalização das relações entre os países".   

Por sua vez, a União Europeia, mediadora das negociações, convidou todas as partes a "mostrarem calma e moderação". (ANSA)
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