Papa volta a mencionar escândalos de pedofilia no Chile

SANTIAGO, 16 JAN (ANSA) - Em encontro com o clero chileno, o papa Francisco voltou a mencionar os escândalos de pedofilia na Igreja Católica, após as diversas manifestações realizadas no país por conta de sua visita.   

A reunião ocorreu na Catedral de Santiago, onde Jorge Bergoglio afirmou que os casos de abuso sexual por parte de sacerdotes lançaram dúvidas sobre toda a comunidade eclesiástica, que "sofre" com o "medo" e a "desconfiança".   

"Dor pelos danos e pelo sofrimento das vítimas e de suas famílias, que viram traída a confiança que haviam depositado nos ministros da Igreja. Dor pelo sofrimento da comunidade eclesiástica. E dor por vocês, irmãos, que sofreram os danos provocados pela suspeita e pelos questionamentos que, em muitos, pode ter insinuado a dúvida, o medo e a desconfiança", disse o Papa. Francisco acrescentou que muitos padres "sofrem insultos no metrô ou andando pelas ruas" e estão "pagando caro" por usar batina. "Por isso, os convido a pedir a Deus que nos dê a lucidez para chamar a realidade com seu nome, a coragem de pedir perdão e a capacidade de aprender a escutar aquilo que Ele nos diz", afirmou.   

O Papa vem enfrentando no Chile uma hostilidade rara desde o início de seu pontificado, com igrejas queimadas e protestos contra casos de pedofilia na Igreja. Desde 2000, quase 80 sacerdotes chilenos foram acusados de abusar sexualmente de menores de idade.   

Durante a manhã, Bergoglio havia pedido "perdão" pelos escândalos de pedofilia, mas uma vítima reagiu mais tarde e afirmou que é "hora de agir". "Chega de desculpas, chega de vergonha", disse Juan Carlos Cruz, abusado pelo padre Fernando Karadima, condenado pelo Vaticano em 2011.   

Um bispo acusado de acobertar Karadima, Juan Barros, participou normalmente de uma missa de Francisco em Santiago.   

Prisão - Durante a tarde, o Pontífice visitou a penitenciária feminina de Santiago, que é administrada por uma congregação de freiras. O local tem capacidade para 855 detentas, mas abriga 1,4 mil, muitas delas com seus filhos.   

A visita ocorreu em clima de comoção, dando um alívio ao Papa após as polêmicas de seu segundo dia no Chile. "Estar privado de liberdade não é a mesma coisa que estar privado de dignidade", declarou Bergoglio às presas. (ANSA)
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