'Amazônia nunca esteve tão ameaçada', diz Papa

PUERTO MALDONADO, 19 JAN (ANSA) - O papa Francisco se reuniu nesta sexta-feira (19), em Puerto Maldonado, no Peru, com povos da Amazônia e afirmou que a floresta está "mais ameaçada do que nunca".   

Em seu discurso, acompanhado por povos indígenas de vários países, o líder da Igreja Católica disse que a região é uma "terra ameaçada" em diversas frentes, como a "forte pressão dos grandes interesses econômicos que dirigem sua avidez para o petróleo, o gás, o ouro e as monoculturas agroindustriais" ou "certas políticas" que promovem a conservação da natureza "sem levar em conta o ser humano".   

"Provavelmente, os povos originários da Amazônia nunca estiveram tão ameaçados em seus territórios como agora", declarou o Papa, denunciando a falta de alternativas para os indígenas, muitas vezes forçados a migrar para áreas urbanas para garantir sua sobrevivência.   

"Devemos quebrar o paradigma histórico que considera a Amazônia como uma despensa inesgotável dos Estados", acrescentou. O encontro foi marcado pelo Vaticano já pensando no Sínodo dos Bispos convocado por Francisco para outubro de 2019, quando a Igreja discutirá "novos caminhos para a evangelização" dos povos amazônicos.   

A proteção da natureza é uma das bandeiras do pontificado de Jorge Bergoglio, que dedicou sua primeira encíclica, a "Louvado seja", ao tema da preservação ambiental. "É imprescindível realizar esforços para dar vida a espaços institucionais de respeito, reconhecimento e diálogo com os povos nativos, assumindo e resgatando cultura, língua, tradições, direitos e espiritualidade que os caracterizam", disse o Papa nesta sexta.   

O encontro em Puerto Maldonado reuniu cerca de 4 mil membros de diversos povos da Amazônia, que receberam Francisco com cantos e danças de boas-vindas. O Pontífice entregou a cada grupo uma versão da "Louvado seja" traduzida para seu próprio idioma - entre eles estavam representantes dos jaminauás e dos caxinauás, indígenas que vivem no estado do Acre, norte do Brasil.   

"Desejei muito esse encontro, obrigado pela sua presença e por me ajudarem a ver mais de perto, em seus rostos, o reflexo dessa terra. Um rosto plural, de uma infinita variedade e de uma enorme riqueza biológica, cultural e espiritual", destacou Francisco. O Papa também usou a ocasião para denunciar a exploração contra indígenas por meio da escravidão e do abuso sexual e as "pressões" para que alguns países promovam "políticas de esterilização" de mulheres. "Sabemos que [os povos indígenas de isolamento voluntário] são os mais vulneráveis entre os vulneráveis. A herança de épocas passadas os obrigou a se isolar até da própria etnia, iniciando uma história de reclusão nos locais mais inacessíveis da floresta para viver em liberdade", disse.   

Para completar, Francisco defendeu a criação de uma "Igreja com rosto amazônico e indígena", que não seja estranha ao modo de vida e à cultura dos povos locais. "Com esse espírito, convoquei o Sínodo para a Amazônia de 2019", afirmou. (ANSA)
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