Trump completa um ano no poder com governo paralisado

WASHINGTON, 20 JAN (ANSA) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começou o segundo ano de seu mandato com o governo paralisado. Após um dia inteiro de negociações, o Senado rejeitou na última sexta-feira (19) uma extensão provisória do orçamento até 16 de fevereiro, o que, na prática, deixa a administração federal sem fundos para continuar operando.   

O texto havia sido aprovado na Câmara dos Representantes por um placar de 230 a 197, mas acabou rechaçado no Senado, onde precisava de pelo menos 60 votos, sendo que o Partido Republicano, de Trump, possui apenas 51 dos 100 assentos na Casa - o resultado acabou sendo de 51 a 49.   

Um dos motivos que impediram a prorrogação provisória do orçamento foi a recusa da Casa Branca em garantir os direitos dos "dreamers", imigrantes ilegais que chegaram aos EUA ainda crianças ou adolescentes e que estão na mira do presidente.   

Esse grupo de pessoas era protegido pelo programa "Ação Diferida para Chegadas Infantis" (Daca, na sigla em inglês), criado pelo democrata Barack Obama, mas Trump anunciou a revogação da iniciativa em setembro passado. A decisão do presidente foi parcialmente suspensa pela Justiça, mas os "dreamers" ainda correm risco de deportação e têm futuro incerto.   

Além disso, os democratas cobravam a renovação do programa federal de seguro saúde para crianças pobres, mas a Casa Branca também não aceitou a contrapartida. Durante a tarde da última sexta, Trump chegou a dizer no Twitter que as negociações haviam avançado, mas o otimismo sumiria poucas horas depois.   

"Os democratas querem uma paralisação para ajudar a diminuir o sucesso do corte de impostos, que está impulsionando nossa economia", disse o republicano, culpando seus adversários pelo "shutdown". "Os democratas estão mais preocupados com imigrantes ilegais do que com nossa segurança na fronteira sul", acusou Trump neste sábado (20).   

A proposta de orçamento da Casa Branca para 2018 prevê um aumento dos recursos das Forças Armadas e dos gastos em segurança na fronteira com o México. Em dezembro passado, o Congresso já havia aprovado um orçamento temporário até 19 de janeiro deste ano.   

"Esse é o primeiro aniversário da minha presidência, e os democratas quiseram me dar um presente legal", ironizou o mandatário.   

Shutdown - A última paralisação do governo norte-americano ocorreu no fim de 2013, durante a "era Obama", e durou mais de duas semanas. Na ocasião, 850 mil funcionários pararam de trabalhar porque não havia dinheiro para pagar seus salários.   

Em caso de "shutdown", o governo federal mantém em funcionamento os serviços essenciais, como segurança, saúde, justiça, aposentadorias e o controle do tráfego aéreo, mas muitos servidores deixam de ser retribuídos.   

Outras atividades não prioritárias, como o funcionamento de parques nacionais, devem ser interrompidas. O Pentágono já antecipou que os militares da ativa permanecerão em seus postos, evitando efeitos sobre as operações contra o Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque, por exemplo.   

No entanto, o secretário de Defesa, James Mattis, alertou que a paralisação pode causar consequências nas atividades de treinamento, manutenção e inteligência. (ANSA)
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