TRF-4 mantém condenação de Lula, mas aumenta pena(2)

SÃO PAULO, 24 JAN (ANSA) - A votação iniciou pelo desembargador Gebran Neto, que confirmou a condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, além de pedir o aumento da pena para 12 anos e um mês, sob justificativa de que "há culpabilidade elevada por se tratar de um ex-presidente da República". Ele discursou por mais de três horas, lendo parte de suas 430 páginas, nas quais rejeitou todas as alegações da defesa e contextualizou a possível responsabilidade do ex-mandatário nos crimes citados. Detalhada e minuciosamente, Gebran Neto relembrou a história da indicação de diretores da Petrobras nos governos do PT, relacionando Lula ao esquema de corrupção na estatal, além de citar transcrições de depoimentos de testemunhas, réus e colaboradores para sustentar seu voto. "Há provas razoáveis de que o ex-presidente foi um dos articuladores, senão o principal, de um amplo esquema de corrupção", destacou. Segundo o desembargador, "os fatos somados vão dando certeza" do envolvimento de Lula com o triplex. Em todo o seu discurso, o relator ressaltou que, em sua opinião, o contexto da história, os indícios e as provas "indiretas" ajudam a montar "a situação" e não podem ser descartados. Por isso, Gebran Neto citou várias referências de testemunhas e visitas de Lula e da ex-primeira-dama Marisa Letícia ao imóvel no Guarujá.   


"O conjunto probatório é seguro, afirmativo, com provas acima do razoável de que o apartamento tríplex, desde o início, foi reservado para o sr. Luiz Inácio Lula da Silva e assim permaneceu após a OAS assumir o empreendimento. Também há provas de que as reformas, compra da cozinha e utensílios foram feitas a favor do ex-presidente", disse. Gebran Neto também negou que Moro tenha cometido atos ilícitos, disse que houve "razão" para as quebras de sigilo telefônico, como nos célebres áudios de Lula com Dilma Rousseff, e defendeu as conduções coercitivas da PF. O voto do relator foi acatado de forma unânime por Paulsen, que acusou o ex-presidente de agir "por ação ou omissão". "Há elementos de sobra para provar que ele concorreu para a prática dos crimes", afirmou. O desembargador ainda citou a proximidade entre Lula e o ex-mandatário da OAS Léo Pinheiro e falou em "gravíssimas violações da moralidade". Por sua vez, Laus argumentou que o ex-presidente "confundiu suas atribuições" de mandatário do país com o de chefe de uma "agremiação partidária" e que há provas "testemunhais e documentais" contra o réu. Na sessão desta quarta, também foram julgados o ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro (três anos e seis meses), Agenor Franklin Magalhães Medeiros (um ano e 10 meses), o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto Paulo Roberto Valente Gordilho, Roberto Moreira Ferreira e Fabio Hori Yonamine - estes quatro últimos foram absolvidos. Protestos - Durante todo o dia, várias cidades do Brasil tiveram protestos a favor e contra Lula, mas nenhum em grande escala ou que tenha resultado em confronto. Integrantes do Movimento Social de Luta (MSL) ocuparam a Fazenda Espinheiro Preto, em Dracena, interior de São Paulo. Antes de entrar na área, cerca de 50 militantes bloquearam a rodovia vicinal Noritaro Murata. Militantes da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), movimento dirigido por José Rainha Júnior, bloquearam a entrada na unidade da empresa JBS em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Os manifestantes exigiram o direito de Lula de concorrer na eleição. Um grupo de manifestantes protestou em apoio ao petista em frente ao Tribunal Regional Federal de Goiânia. No centro de Fortaleza, movimentos sindicais realizaram protesto diante do prédio da Justiça Federal. Municípios do interior do Ceará, como Juazeiro do Norte, Quixadá, Limoeiro do Norte, Crateús, Sobral e Acarape também tiveram ações a favor do ex-presidente. Em Salvador, manifestantes pró-Lula bloquearam parte da Avenida São Cristóvão, que dá acesso ao aeroporto Internacional de Salvador.   


Algumas pessoas decidiram seguir a pé pela estrada até o aeroporto, para não perder os voos. Manifestantes do MST também interditaram totalmente a BR-101, na cidade de Sooretama, norte do Espírito Santo. Em Curitiba, militantes do PT e integrantes de movimentos sociais se reuniram desde 7h30 no centro da cidade, em vigília de apoio a Lula. Em São Paulo, na Avenida Paulista, dezenas de manifestantes com roupas verde e amarelo gritavam "Lula na cadeia", em apoio à condenação do petista.   


Além disso, um grupo inflou um boneco do ex-mandatário em frente ao prédio onde fica o triplex, no Guarujá. Lula - O ex-presidente disse que só vai parar de "lutar" no dia que "morrer". A declaração foi dada pelo Twitter, durante o julgamento. "A única coisa que eu tenho certeza é que só no dia em que eu morrer eu vou parar de lutar. Eles que se preparem, porque a gente vai voltar e transformar esse país", escreveu. "Estou extremamente tranquilo e com a consciência de que não cometi nenhum crime. A única coisa certa que pode acontecer é eles dizerem que o Moro errou", garantiu. O petista também relacionou o processo com suas conquistas de governo. "Pobre era estatística. E quem é que colocou o dedo na ferida? Fomos nós. E eu sei que é isso que está em julgamento. A conquista que vocês tiveram ao longo dos anos incomodou a elite. Esse país sempre foi pensado para 35% da população. Pobre era apenas estatística", alegou. Em outra mensagem, o petista disse que "resolveram criticar porque o PT estava fazendo demais". "Porque estávamos conversando demais com a Bolívia, com o Equador, com a Venezuela, ao invés de conversar com os EUA. O que incomoda eles [sic] é que a gente não queria ser mais do que ninguém, mas não aceitamos ser menos", disse. Personalidades - Lula recebeu mensagens de apoio de personalidades de vários países. Doze congressistas norte-americanos do Partido Democrata escreveram uma carta à embaixada brasileira em Washington pedindo que os direitos do petista fossem "preservados". Da Argentina, Lula foi elogiado pela ex-presidente Cristina Kirchner e pelo ex-jogador Diego Maradona. (ANSA)
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