Após 200 anos, Frankenstein ainda 'assusta' a ciência

ROMA, 29 JAN (ANSA) - O romance "Frankenstein", ou como é conhecido no inglês "Moderno Prometeu", completa 200 anos em 2018 e, apesar de ainda ser referência em contos de terror, ressalta o debate sobre os limites da ciência no século 21. O livro, publicado pela primeira vez em 1818, relata a história de um estudante, Victor Frankenstein, que constrói um ser humano em seu laboratório sem utilizar espermas ou óvulos. Mas quando este ser acorda, Victor vê-se deparado com um monstro a sua frente.   


Mesmo que as alusões à obra não sejam sempre positivas, a literatura científica é composta por termos como "alimentos Frankenstein", "células Frankenstein" e "leis de Frankenstein", além de especialistas convictos de poder repetir o experimento descrito na obra de Mary Shelley. Uma década após o lançamento, em 1828, surgiu a primeira referência científica de "Frankenstein" em um artigo sobre a formação de embriões. A lembrança parte de um tweet publicado pela revista científica "The Lancet", em 26 de janeiro. "Imitamos muitas ações da natureza, mas podemos esperar algum dia imitar esta também? E aqui, me abstenho de continuar, preocupado de que entre as cabeças de vocês esteja a ideia de que eu quero tornar real a extravagante obra e levar Frankenstein para a realidade", escreveu em um artigo o então obstetra James Blundell, primeiro médico a realizar uma transfusão sanguínea. Já a revista "Science" recordou as inspirações do romance de Shelley para a invenção do marcapasso. Para Earl Bakken, criador do marcapasso eletrônico, a ideia surgiu do filme sobre o monstro, interpretado por Boris Karloff em 1931. No entanto, sem mencionar as réplicas do livro, a ciência está a ponto de recriar um "monstro moderno". Desde o primeiro órgão transplantado - um rim em 1950 - os estudos médicos avançaram muito. E agora é possível transplantar pele e cartilagem, além de existir casos de transplante de rosto. Falta somente "transplante de cabeça" , mas alguns cientistas afirmam que seria possível. Além disso, há a criação de órgãos artificiais - alguns criados por impressoras 3D - e membros mecânicos cada vez mais realistas conectados ao cérebro. As experiências em clonagem, a última realizada na China dias atrás, destacam possibilidades inspiradas pelo livro de Shelley. De acordo com a revista "Science", modificar os seres humanos será cada vez mais fácil, ainda mais agora que existem úteros artificiais em que doenças podem ser eliminadas previamente e o indivíduo pode ter suas características físicas predeterminadas.   


Mas os cientistas alertam, desde já, para uma série de coisas que podem dar errado durante os procedimentos, que poderiam dar lugar a algo "monstruoso", como aconteceu com Frankenstein. (ANSA)
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