Papa manda enviado ao Chile para investigar pedofilia

CIDADE DO VATICANO, 30 JAN (ANSA) - Criticado por defender publicamente um bispo chileno acusado de acobertar denúncias de pedofilia, o papa Francisco decidiu mandar um "enviado especial" ao país para aprofundar as investigações sobre o caso.   

A pessoa designada pelo líder da Igreja Católica é o arcebispo de Malta, Charles Scicluna, presidente do colégio para análise de recursos na Congregação da Doutrina da Fé, um dos dicastérios mais poderosos do Vaticano.   

"Na sequência de algumas informações recentes sobre o monsenhor Juan de la Cruz Barros Madrid, bispo de Osorno, no Chile, o Papa determinou que o monsenhor Charles Scicluna se dirija a Santiago para escutar aqueles que expressaram a vontade de apresentar elementos em sua posse", diz um comunicado.   

Juan Barros, 61 anos, é acusado por vítimas do padre Fernando Karadima, 87, de quem ele era protegido, de acobertar casos de abuso sexual contra menores de idade. O escândalo abalou a imagem da Igreja Católica no Chile e foi motivo de protestos durante a recente visita de Francisco ao país.   

Pessoas violentadas por Karadima, que foi condenado pelo Vaticano em 2011, afirmam que Barros agia para encobrir os episódios de pedofilia - algumas dizem até que o bispo presenciava os abusos pessoalmente.   

Os casos começaram na década de 1980, quando Barros era seminarista e homem de confiança de Karadima. Além disso, o atual bispo de Osorno era secretário particular do então arcebispo de Santiago, Juan Francisco Fresno.   

Durante sua viagem ao Chile, o Papa saiu em defesa de Barros e afirmou que as denúncias contra ele eram "calúnias" e que não havia "provas" contra o bispo. A declaração gerou críticas por parte de vítimas de pedofilia e até do cardeal norte-americano Sean O'Malley, que presidiu uma comissão criada por Jorge Bergoglio para combater os abusos sexuais na Igreja.   

Em seu voo de volta a Roma, Francisco se desculpou com as vítimas de Karadima, mas manteve a convicção de que não há indícios de culpa contra Barros. (ANSA)
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