Partido antissistema é envolvido em escândalo na Itália

ROMA, 15 FEV (ANSA) - Às vésperas das eleições do dia 4 de março, o partido antissistema Movimento Cinco Estrelas (M5S) foi envolvido em um escândalo político na Itália. O caso atingiu em cheio oito representantes do partido que atuam no Parlamento.   

Tudo começou após uma matéria veiculada no programa "Le Iene", uma espécie de "CQC" italiano, que mostrava que alguns dos políticos do M5S diziam ter restituído parte do valor que recebem como parlamentares. Segundo a reportagem, "os falsificadores" entravam com um pedido de devolução do dinheiro, mas depois, pediam o anulamento da medida.   

Para se mostrar "diferente", o M5S sempre prometeu que devolveria uma parte dos salários para um fundo do Ministério de Economia e Finanças (MEF) para impulsionar o financiamento e a abertura de novas pequenas e médias empresas e também para um fundo de amortização da dívida pública.   

Por conta disso, eles publicavam relatórios mostrando que tinham doado o dinheiro - mas não mostravam o pedido de anulamento.   

Após a veiculação da matéria, o chefe político do M5S, Luigi Di Maio, solicitou ao MEF uma lista com os valores doados, de fato, pelos parlamentares.   

No fim da tarde de ontem (14), ele publicou a lista oficial na internet: foram doados 23,4 milhões de euros ao fundo - o que representava um "buraco" de quase 800 mil euros no que devia ter sido doado.   

O próprio M5S divulgou, então, os nomes de quem "fingiu" ter dado o dinheiro para o fundo: Ivan Della Valle (não restituiu 270 mil euros), Girolamo Pisano (200 mil euros), Maurizio Buccarella (137 mil euros), Carlo Martelli (81 mil), Elisa Bulgarelli (43 mil), Andrea Cecconi (28 mil), Silvia Benedetti (23 mil) e Emanuele Cozzolino (13 mil).   

"Para nós, as regras são sagradas e que não as respeitar se auto-exclui. Para mim, agora se abre a semana do orgulho cinco estrelas. Com esses números, peço a todos os nossos parlamentares que se distinguem pelas doações que viagem pela Itália para exibir os próprios relatórios", disse Di Maio tentando amenizar a crise. No entanto, ele reconheceu que "errou ao confiar nas pessoas" envolvidas no caso.   

Porém, a sigla recebeu um enorme número de críticas de afiliados e, obviamente, dos adversários políticos.   

O ex-premier Matteo Renzi, líder do Partido Democrático (PD), afirmou que Di Maio tornou-se o "líder das listas não apresentáveis" e ironizou ao lembrar que o chefe do M5S desistiu de participar de um debate político com ele.   

"Se você está tão seguro de suas ideias e de suas ações porque não se apresenta na TV em um debate público à americana? Você atacava os inapresentáveis e agora é o chefe deles. Caro Di Maio, VOCÊ pediu um confronto televisivo há três meses. Agora, você aceita o desafio ou revoga também isso como se fosse uma bonificação qualquer?", questionou Renzi através das redes sociais.   

O líder da sigla ultranacionalista Liga Norte, Matteo Salvini, ironizou a situação e disse que "o movimento que grita honestidade está agora passando as horas buscando encontros em bares, restaurantes ou hotéis". "Mas, cada um gasta o tempo como acha certo", disse ainda o polêmico político.   

Já Silvio Berlusconi, do Força Itália, voltou a reafirmar a "loucura" que seria dar o governo italiano "a um rapaz de 31 anos que nunca trabalhou na vida".   

- Crise no Parlamento Europeu: Além de ter que enfrentar a crise com os políticos que não devolveram o dinheiro, o M5S também perdeu um de seus principais percussores, o parlamentar europeu David Borrelli. O político, o primeiro eleito pela sigla em 2008 e um dos fundadores da plataforma Rousseau, coração das decisões políticas do M5S, anunciou que "era o momento de mudar o percurso e entrar em um novo movimento de empresários e poupadores". No entanto, ele não esclareceu o que fez abandonar a sigla que ajudou a fundar.   

Di Maio, por sua vez, ao ser questionado sobre o tema se limitou a dizer que "ele sequer me respondeu" e "sequer atendeu meus telefonemas".   

Ou seja, em 48 horas, a campanha estrelada baseada na "competência" foi obrigada a enfrentar "fantasmas" do passado, "traidores" das regras internas e lidar com a violação de seu Estatuto. Esse, sem dúvidas, é o momento mais difícil para o chefe político do movimento.   

- Eleições: As eleições de março prometem ser as mais equilibradas - e até certo ponto caóticas - na Itália nas últimas décadas. Isso porque, de acordo com as projeções das pesquisas, nenhum grupo ou partido conseguirá uma maioria absoluta no Parlamento.   

De acordo com dados atualizados no dia 12 de fevereiro pelo jornal "La Repubblica", que computa todas as pesquisas realizadas no país, a centro-direita - que inclui Berlusconi, Salvini e o partido Irmãos da Itália - tem 38,6% das intenções de voto.   

Já o Movimento Cinco Estrelas aparece com 27% - e não há indicação de que eles planejem fazer uma coalizão - e o bloco de centro-esquerda (que não está ainda fechado, mas conta os votos do PD de Renzi) tem 26% das intenções. O grupo Livres e Iguais, de esquerda, tem 6,1% dos votos, enquanto os outros partidos somam 2,3%.   

Os dados foram baseados na pesquisa da Euromedia Research para a emissora "RAI". Há pouco mais de 12,6% de italianos indecisos para o pleito, de acordo com uma outra pesquisa publicada no dia 11 de fevereiro pela "EMG Aqua", também para a "RAI". (ANSA)
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