Pesquisa mostra cenário caótico para formar governo na Itália

ROMA, 16 FEV (ANSA) - Uma série de pesquisas eleitorais para o pleito do dia 4 de março na Itália divulgada nesta sexta-feira (16) mostrou um cenário preocupante para o futuro político do país: nenhum partido ou coalizão conseguirá obter a maioria para formar um novo governo.   

A quantidade de pesquisas divulgadas hoje se justifica porque, de acordo com a Constituição italiana, esse tipo de levantamento só pode ser feito até este sábado (17), 15 dias antes da disputa eleitoral.   

Segundo um levantamento da Ipsos para o jornal "Corriere della Sera", a coalizão de centro-direita tem 35,6% das intenções de voto, enquanto a centro-esquerda tem 34% e o Movimento Cinco Estrelas tem 28,6%.   

Enquanto a centro-direita tem uma coalizão já formada, com o Força Itália de Silvio Berlusconi, o ultranacionalista Liga Norte e o Irmãos da Itália (FdI), a centro-esquerda não tem um grupo de partidos unidos de fato.   

O principal expoente desse bloco é o Partido Democrático, de Matteo Renzi, que está no poder desde 2013, e que tem sozinho 22,6% das intenções de voto. Para a pesquisa, foram incluídos nesse bloco o Livres e Iguais (LeU), de esquerda e de dissidentes do PD, com 6,1%; o Juntos, com 1,1%; a lista Cívica Popular, com 1,1%, e o +Europa, de Emma Bonino, com 3,1%.   

Já o M5S anunciou, por diversas vezes, que não pretende se unir a nenhuma sigla tradicional para governar em caso de vitória.   

Em números totais, dos 617 assentos disponíveis no Parlamento, 283 ficariam com a centro-direita, 158 com a centro-esquerda e 152 com o M5S. A pesquisa ainda fez as estimativas de quais seriam as mínimas e as máximas para cada grupo, com a centro-direita tendo entre 270 e 296 assentos, a centro-esquerda com 148 a 168 e o M5S com uma variação de 137 e 167.   

O levantamento ainda solicitou o índice de confiança nos principais expoentes políticos do país, com o atual premier, Paolo Gentiloni, recebendo 47% dos votos positivos, Bonino recebendo 36% e Luigi Di Maio, chefe político do M5S, com 35%. Já Matteo Salvini, líder do polêmico Liga Norte, tem 29%, Berlusconi tem 28% e Renzi tem 26%.   

De acordo com o Ipsos, as entrevistas foram realizadas entre os dias 13 e 14 de fevereiro.   

- Pesquisa 'La Repubblica': Em outra pesquisa divulgada nesta sexta, dessa vez realizada pelo Demos para o jornal "La Repubblica", as proporções aparecem um pouco diferentes - mas mantém a previsão de não ter maioria no Parlamento para ninguém.   

Segundo o levantamento, o FI de Berlusconi aparece com 16,3%, a Liga com 13,2% e o FdI tem 4,8%, totalizando 34,3% dos votos para a centro-direita.   

Já o PD aparece com 21,9% das intenções de voto, o LeU com 6,1% e o +Europa tem 3,5%, o que daria 31,5% para a centro-esquerda, mantendo a segunda colocação para os aliados de Renzi.   

O M5S tem 27,8% das intenções de voto nessa pesquisa enquanto as outras siglas contam com 6,1% dos votos. Segundo o Demos, a consulta foi realizada entre os dias 12 e 14 de fevereiro.   

Todos os cenários mostram que, se não houver uma grande união dos partidos, ficará complicada a definição do novo governo italiano após o dia 4 de março.   

Pelos discursos antes do pleito, as alianças entre centro-esquerda e centro-direita, que já foram realizadas no passado, parecem cada vez mais distantes por conta da união de Berlusconi com o Liga Norte - acusado de ser xenófobo pela centro-esquerda.   

Por sua vez, o M5S mantém uma postura de crítica a ambos os grupos, o que também colocaria o partido de Di Maio em uma saia justa em caso de vitória, tendo que optar por se coligar com quem sempre criticou ou ir às urnas novamente.   

Em diversos momentos, Berlusconi afirmou que, mesmo com a vitória de sua coalizão, em caso de não formação de governo, o país "deve voltar às urnas" e manter Gentiloni no posto de premier. Apesar de parecer estranha, a medida poderia beneficiar o próprio ex-Cavaliere que está inelegível até 2019 e aguarda uma decisão da Corte de Direitos Humanos de Estrasburgo para tentar reaver antecipadamente seus direitos políticos. (ANSA)
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