Eleições/Fabio Porta, candidato ao Senado da Itália

SÃO PAULO, 15 FEV (ANSA) - Deputado por dois mandatos consecutivos, Fabio Porta agora tenta voos mais altos. Em 2018, ele é candidato ao Senado pelo Partido Democrático (PD), sigla de centro-esquerda que governou a Itália nos últimos cinco anos.   

Porta é natural da Sicília, mas tem residência em São Paulo. Sua ligação com o Brasil começou em 1998, quando ele assumiu os serviços da União Italiana do Trabalho (UIL) no país - o deputado iniciara sua militância na entidade sindical em 1986.   

De lá para cá, foi conselheiro da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Agricultura (Italcam) e do Comitê dos Italianos no Exterior (Comites) em São Paulo. Ele é formado em sociologia pela Universidade de Roma.   

As trocas comerciais entre Brasil e Itália caíram mais de 30% desde 2013, ano das últimas eleições legislativas italianas. O que o senhor propõe para recuperar as relações entre os dois países no âmbito do comércio? Nós estamos próximos da finalização do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. O Brasil é o maior país deste acordo, penso que é a maneira melhor para impulsionar as relações comerciais. E a Itália pode ser o principal parceiro, como já é um dos principais parceiros na Europa. Penso que temos que trabalhar nesse sentido, com o "Sistema Itália", melhorando um pouquinho a presença aqui do Instituto do Comércio Exterior, da Embaixada, da rede consular, e valorizando muito as câmaras de comércio italiano no Brasil, que têm uma rede muito forte e influente.   

Qual é a proposta do senhor para aproximar Brasil e Itália na cultura e no turismo? Bom, cultura e turismo, para a Itália, são realmente os carros-chefes do desenvolvimento, do crescimento. Nós fizemos um grande trabalho, principalmente o governo do Paolo Gentiloni, do Matteo Renzi, o ministro [Dario] Franceschini. Hoje todos os indicadores dizem que o nosso patrimônio artístico e cultural está sendo valorizado, visitado mais. Temos muita afinidade com o Brasil no lado cultural, na tradição, na arquitetura, na ciência, na música. Podemos valorizar isso com projetos específicos, aproximando mais as universidades entre Itália e Brasil e valorizando a presença no Brasil da grande colônia italiana.   

Nos últimos anos, apenas um primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, veio ao Brasil, e por causa das Olimpíadas. A Itália negligenciou as relações políticas com o Brasil e vice-versa? Absolutamente não. Teve a presença do Matteo Renzi, mas também o Paolo Gentiloni, o atual primeiro-ministro, quando era ministro de Relações Exteriores, esteve no Brasil. Inclusive o Matteo Renzi foi o líder político, o primeiro-ministro, que mais viajou pela América do Sul. Ou seja, o interesse não é somente o Brasil, mas o inteiro continente. É claro, tivemos alguns problemas que, um pouquinho do lado italiano e do lado brasileiro, atrapalharam uma maior relação institucional. Penso que nós podemos agora, no próximo ano, depois das eleições italianas e brasileiras, fortalecer esses laços institucionais e políticos tão importantes para as relações entre os dois países.   

As eleições de outubro no Brasil podem facilitar a retomada das relações com a Itália? Eu espero que a eleição brasileira seja a finalização de uma instabilidade política e institucional de alguns anos, quem sabe coincidir também com uma retomada do crescimento. O Brasil é um grande país democrático, as relações de Itália e Brasil são mais importantes tanto que as crises políticas e econômicas italianas, tanto que as crises políticas e econômicas brasileiras. Então estou muito confiante que este ano vai ser um ano de mudanças, de fortalecimento da democracia tanto na Itália quanto no Brasil, e que, a partir do ano que vem, as nossas relações serão mais consolidadas, fortes e agressivas dos dois lados.   

O senhor é a favor da extradição de Cesare Battisti pelo governo brasileiro? Eu sempre defendi a extradição do Cesare Battisti na Itália. Não somente defendi, mas fui atuante. Na legislatura precedente, fui a Brasília, encontrei lideranças, o presidente da Câmara, do Senado, apresentei moção no Parlamento italiano para pedir a extradição de um terrorista que cometeu crimes gravíssimos contra pessoas inertes na Itália. Eu espero que a Justiça brasileira vá entregar essa pessoa, esse assassino, à Justiça italiana, como é justo que seja.   

Os defensores de Battisti acusam a Itália de tentar interferir nas instituições do Brasil ao pedir novamente sua extradição, mesmo depois das decisões tomadas pelo presidente da República (Lula) e pelo Supremo Tribunal Federal. O que o senhor pensa dessa visão? Penso que aquela decisão foi equivocada, foi o ato final, a pior coisa que poderia ter feito o então presidente Lula, aceitando uma indicação do então ministro da Justiça Tarso Genro. Penso que o Brasil pode reverter aquela decisão, que o Battisti pode ser devolvido à Itália. As relações Itália-Brasil são relações de países irmãos, e penso que, nessas relações, o Brasil tem que respeitar as decisões da Justiça italiana, como nós respeitamos aquelas da brasileira. (Continua)
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