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Eleições/Luis Molossi, candidato à Câmara da Itália (2)

21/02/2018 14h30

SÃO PAULO, 21 FEV (ANSA) - A comunidade de ítalo-descendentes no Brasil reclama bastante das filas para reconhecimento de cidadania nos consulados. O que o senhor propõe para melhorar essa situação? Esse argumento já vem sendo bastante discutido há muito tempo no Comites e no Cgie, onde eu participo e faço parte, e me sinto bastante preocupado, engessado, porque a gente não consegue aprovar soluções para esse problema. Nós temos consulados com cada vez menos pessoas trabalhando, cada vez menos recursos, e muito mais gente pedindo, muito mais gente querendo a cidadania, que é um direito, e ninguém deve tirar esse direito. O que deve se fazer é investir mais. O que é arrecadado aqui precisa ser investido aqui. O consulado de Curitiba arrecadou em 2016 1,25 milhão de euros, e não voltou exatamente nada para o consulado de Curitiba, com nove funcionários. Isso precisa de uma política, sim, de governo, não é do Parlamento, mas de governo, de retornar esses investimentos arrecadados com a famosa taxa dos 300 euros, que até agora não veio nada.   

O senhor é a favor da imposição de um limite de geração à concessão de cidadania jus sanguinis, como propôs um senador italiano no fim do ano passado? Eu sou de terceira geração, e quem me conhece sabe que sou tão italiano quanto aquele que nasceu agora na Itália. Ou até bem mais, porque aqui costumam dizer que a gente preza até muito mais esse sentimento de italianidade do que na própria Itália.   

Então sou contra limite geracional, até porque meu neto ou bisneto, no futuro, não podem ter tolhido esse direito, que é um direito constitucional. O que existe, sim, é a possibilidade de ter os dois, o jus soli e o jus sanguinis, como existe e funciona muito bem no Brasil. Mas limite geracional, comigo não.   

Um dos projetos que ficaram pendentes na última legislatura italiana foi o do jus soli. Se eleito, o senhor defenderá a aprovação dessa lei? Eu sou contra porque acho que já existe legislação suficiente, mesmo na Itália, que a pessoa possa optar pela cidadania italiana quando ela tem 18 anos, se ela é estrangeira. Então não vejo nenhum problema nisso. Se ele casou com uma italiana ou se ele desenvolveu um trabalho lá, ele tem todo o direito. A legislação existe. O que existe agora é um uso político desse argumento para definir quem é contra e quem é favor. É só cumprir a lei, a lei existe e é bem clara nesse sentido, e não temos como discutir jus soli, jus sanguinis, agora, para tentar trazer limitações à concessão da cidadania italiana.   

Nos últimos anos, a Itália foi destino de um dos maiores deslocamentos em massa desde a Segunda Guerra Mundial. Qual, na visão do senhor, deve ser a postura do governo para lidar com a crise migratória e de refugiados no Mediterrâneo? A Itália tem um problema grave, que é a posição geográfica que ela ocupa. Os imigrantes que entram lá, na verdade, só uma parte deles pretende efetivamente ficar na Itália. Mas a maioria quer ir para a França, Inglaterra, Alemanha, para outros países, onde eventualmente ele já tenha algum parente ou alguém que oferece um emprego, ou sonha em conseguir alguma coisa. Mas o problema da Itália é justamente a posição geográfica, não tem o que fazer quanto a isso. Se chega todo um dia um barcone de imigrantes e você vai simplesmente dizer "voltem, nós não podemos fazer nada, vamos jogar vocês ao mar"? Infelizmente, não tem o que fazer, isso é uma questão humanitária.   

Quem é o candidato ou candidata do senhor a primeiro-ministro nas eleições de março? Nós somos um partido dos italianos do exterior, sempre optamos por essa linha. Somos independentes e apoiamos e apoiaremos qualquer um dos candidatos que se apresentarem para ser primeiro-ministro e que tenha, dentro das suas propostas de governo, uma atenção especial para os italianos do exterior.   

Pode ser o Pietro Grasso, pode ser o [Matteo] Renzi, se for o [Silvio] Berlusconi, o [Matteo] Salvini. Qualquer um deles que tenha uma preocupação conosco terá nosso apoio. (ANSA)
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