Especial/Quem é quem nas eleições na Itália? (2)

SÃO PAULO, 01 MAR (ANSA) - Pietro Grasso - Ex-membro do PD, o presidente do Senado, de 73 anos, lidera uma coalizão de esquerda formada por dissidentes da legenda de Renzi. Grasso é o segundo na hierarquia do Estado desde 2013 e trabalhou como procurador nacional antimáfia entre 2005 e 2012. Apesar de ser septuagenário, ele tem uma curta trajetória na política e cultiva a imagem de "homem das instituições" - Grasso chegou a ser cogitado como premier para aplacar a crise gerada pela renúncia de Renzi.   

Sua saída do PD se deu por divergências em relação à reforma eleitoral patrocinada pela sigla e com seu "modus operandi" no Parlamento - nos projetos mais importantes, o partido, sob comando de Renzi, sempre apelava para o "voto de confiança", que restringe o debate parlamentar.   

Sua coalizão, a Livres e Iguais (LeU), tem cerca de 6% das intenções de voto, apoio que é roubado justamente do PD. Se Grasso se sair bem nas urnas, é provável que Renzi tenha menos chances de voltar ao governo, a não ser que consiga costurar uma aliança com os dissidentes.   

Paolo Gentiloni - O discreto primeiro-ministro de 63 anos ficará no poder até que um novo governo seja criado e é candidato a deputado. Apesar de, segundo as pesquisas, Gentiloni ser a segunda liderança na qual a população mais confia, atrás do presidente Mattarella, ele pertence ao PD, partido dominado pelas pretensões de Renzi.   

Contudo, o ex-primeiro-ministro já admite ceder a candidatura ao Palácio Chigi para seu sucessor. O nome de Gentiloni também pode ganhar força caso ninguém consiga formar uma aliança após as eleições, já que seu perfil institucional seria mais aceitável para os dissidentes do PD e para a centro-direita.   

Sergio Mattarella - Na Itália, o presidente da República é escolhido pelo Parlamento, e seu mandato não estará em jogo em 2018. No entanto, apesar de ter um papel institucional e mais afastado do dia a dia do jogo político, Mattarella ganhará importância caso a fragmentação prevista pelas pesquisas se confirme.   

Cabe ao chefe de Estado designar o primeiro-ministro, baseado no resultado das urnas. Se nenhum partido tiver uma maioria clara, ele escolherá aquele que se mostrar mais capaz de formar um governo de coalizão. Em março de 2013, após o secretário do PD na época, Pier Luigi Bersani, fracassar nas negociações, o então presidente Giorgio Napolitano encarregou o segundo na hierarquia do partido, Enrico Letta, pouco conhecido entre os italianos, ignorando os apelos do M5S, segundo partido mais votado. (ANSA)
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