Renzi dá passo atrás e admite apoiar outro premier do PD

ROMA, 01 MAR (ANSA) - O candidato a primeiro-ministro pelo Partido Democrático (PD), Matteo Renzi, deu um passo atrás nesta quinta-feira (1º) e afirmou que ofereceria seu apoio caso outro nome de sua legenda fosse indicado pelo presidente Sergio Mattarella para formar um novo governo.   

Secretário nacional do PD, de centro-esquerda, Renzi é candidato natural ao cargo de premier, mas vem sendo questionado por não conseguir fazer a sigla decolar nas pesquisas - as últimas sondagens, publicadas em meados de fevereiro, dão o PD com menos de 25% dos votos.   

Além disso, os levantamentos apontam que nenhum partido ou aliança deve alcançar maioria absoluta no Parlamento, o que pode forçar uma coalizão entre forças rivais. Nesse contexto, a imprensa local acredita que o atual primeiro-ministro do país, Paolo Gentiloni, também do PD, seria um nome mais indicado para liderar um governo de união nacional.   

"Se Mattarella der o encargo a Gentiloni ou a outro ministro ou não ministro do PD, terá meu total apoio", garantiu Renzi em entrevista ao jornal "La Repubblica". Popular durante seus quase três anos de governo, o ex-premier vem perdendo apoio desde que foi derrotado no referendo constitucional de dezembro de 2016.   

Por outro lado, Gentiloni, seu ex-ministro das Relações Exteriores, é tido como o segundo político que inspira mais confiança nos italianos, atrás apenas do presidente. "Gentiloni não é apenas um ótimo premier, mas também um amigo, e estou contente que todos falem bem dele. O candidato será escolhido pelo presidente", reforçou Renzi.   

Ao contrário do secretário do PD, que é uma figura mais agressiva e polarizadora, Gentiloni tem perfil discreto e conciliador. Seu ano de governo conseguiu transcorrer sem sustos, apesar do cenário turbulento na Itália e da pressão da oposição por eleições antecipadas.   

"Tenho uma relação extraordinária com Gentiloni, e quem do PD for encarregado pelo presidente terá meu apoio. Eu e Gentiloni não brigaremos nunca", salientou o ex-premier, agora em entrevista à "Rai". Gentiloni é candidato a deputado por um dos distritos de Roma, cidade onde nasceu. Já Renzi disputa uma vaga no Senado pela Toscana, cuja capital, Florença, foi governada por ele entre 2009 e 2014. Ambos não devem ter problemas para se eleger. (ANSA)
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