Às vésperas de eleições, Embraco congela demissões na Itália

ROMA, 02 MAR (ANSA) - Na antevéspera das eleições legislativas na Itália, a empresa brasileira Embraco, subsidiária do grupo norte-americano Whirlpool, anunciou a suspensão das quase 500 demissões que faria em uma fábrica de compressores para refrigeradores em Riva presso Chieri, nos arredores de Turim.   

O corte atingiria 497 funcionários da planta e foi congelado até o fim de 2018, após semanas de negociações entre a companhia, o governo e sindicatos. Com isso, os trabalhadores garantem seus salários até dezembro, enquanto as partes envolvidas tentam encontrar uma solução definitiva.   

"O encontro no Ministério do Desenvolvimento Econômico representa um passo importante no âmbito de um renovado espírito de colaboração entre a Whirlpool Corporation, responsável pela Embraco Europe, os representantes dos trabalhadores, os sindicatos e as instituições italianas em nível nacional, regional e local", diz uma nota da empresa, após uma reunião com o governo da Itália em Roma.   

O fechamento da fábrica havia sido anunciado em janeiro, e a Embraco levaria a produção para a Eslováquia. A decisão gerou uma onda de críticas porque a empresa recebera financiamentos públicos para operar no país e virou tema da campanha para as eleições parlamentares.   

O governista Partido Democrático (PD) temia que as demissões complicassem ainda mais sua já delicada situação na disputa eleitoral. "Estamos satisfeitos, agora o objetivo é a reindustrialização", afirmou o ministro do Desenvolvimento Econômico, Carlo Calenda, que conduziu as negociações e que havia chamado os dirigentes da Embraco de "gentalha".   

Outro que se envolveu pessoalmente nas tratativas foi o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, indicado ao cargo de primeiro-ministro pela coalizão conservadora de Silvio Berlusconi, que lidera as pesquisas.   

Correndo o risco de desagradar a Eslováquia, que também pertence à UE, Tajani telefonou para a Whirlpool e para o ministro da Indústria do Brasil, Marcos Jorge, para buscar uma maneira de evitar as demissões.   

O veto à divulgação de pesquisas nos 15 dias anteriores às eleições dificulta a mensuração do impacto do congelamento das demissões entre os eleitores. Segundo as últimas sondagens publicadas, em meados de fevereiro, o número de indecisos varia entre 10% e 20%, parcela que pode ser decisiva para o resultado final. (ANSA)
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