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Itália elege mulher presidente do Senado pela 1ª vez

24/03/2018 10h08

ROMA, 24 MAR (ANSA) - Maria Elisabetta Alberti Casellati, do partido conservador Força Itália (FI), foi eleita neste sábado (24) a nova presidente do Senado, o segundo cargo mais importante na hierarquia do Estado. Ela será a primeira mulher a ocupar o posto. Já Roberto Fico, do Movimento 5 Estrelas (M5S), comandará a Câmara dos Deputados.   

Os resultados são frutos de um novo acordo entre a coalizão de direita e o partido antissistema, os dois vencedores das eleições de 4 de março, para que cada um ficasse com a chefia de uma das casas do Parlamento.   

Na última sexta-feira (23), o presidente do Força Itália, Silvio Berlusconi, chegara a anunciar o rompimento da aliança conservadora com a legenda ultranacionalista Liga Norte, que havia indicado uma candidata para o Senado, Anna Maria Bernini, sem consultar o ex-primeiro-ministro. No entanto, os aliados desfizeram o impasse e concordaram em sustentar Casellati.   

O postulante inicial da direita na Câmara Alta era Paolo Romani, mas o M5S se recusou a apoiá-lo por considerá-lo "ficha suja" - o senador tem uma condenação por peculato. Por outro lado, no "jogo de vetos" entre os vencedores das eleições, a aliança conservadora havia negado votos ao candidato antissistema para o comando da Câmara, Riccardo Fraccaro, fazendo o movimento optar por Fico.   

Senado - Casellati, 71 anos, foi eleita presidente do Senado no terceiro escrutínio, ao receber 240 votos, um pouco menos do que os 247 que M5S e direita possuem - o mínimo exigido era 161, maioria absoluta dos senadores. Já a ex-ministra da Educação Valeria Fedeli, do centro-esquerdista Partido Democrático (PD), teve 54.   

Em mais de 70 anos de República Italiana, o Senado nacional nunca havia sido presidido por uma mulher. Nascida em Rovigo, no norte do país, Casellati é advogada e vai para seu sexto mandato como senadora. Ela pertence ao FI desde 1994, ano de sua fundação.   

Casellati é considerada bastante próxima a Berlusconi, o que não a impediu de receber os votos do M5S, que se recusara a sentar à mesa de negociações com o ex-primeiro-ministro. Além disso, a nova presidente do Senado também foi vice-ministra da Saúde (2004-2006) e da Justiça (2008-2011) e membro do Conselho Superior da Magistratura (2014-2018).   

Como presidente do Senado, Casellati passa a ser a segunda na hierarquia do Estado. Ou seja, se algo acontecer com o presidente da República, Sergio Mattarella, ela assumirá seu cargo interinamente.   

"Perdoem minha emoção, mas a escolha de eleger pela primeira vez uma mulher à presidência dessa assembleia representa uma responsabilidade que não posso esconder atrás das circunstâncias. Para mim é uma honra e também uma responsabilidade em relação a todas as mulheres italianas", declarou Casellati.   

Câmara - Por sua vez, Roberto Fico, 43, foi eleito presidente da Câmara com 422 votos, sendo que M5S e direita, juntos, possuem 481 deputados. Roberto Giachetti, do PD, teve 102.   

"Estou emocionado em me dirigir a todos vocês e a todos os cidadãos. Obrigado pela confiança para um cargo de alta responsabilidade, é uma honra que exercerei com imparcialidade", disse o expoente do Movimento 5 Estrelas.   

Natural de Nápoles, Fico é uma das principais figuras da legenda antissistema e é deputado desde 2013, tendo presidido a comissão de vigilância da emissora pública "Rai" na última legislatura - ele é formado em ciências das comunicações.   

Fico é considerado um "ortodoxo" do M5S e lidera a ala mais à esquerda e purista do partido, que diz não seguir nenhuma corrente ideológica. Entre os expoentes do movimento, é o único a ter entrado em atrito com seu atual líder político, Luigi Di Maio, possível novo primeiro-ministro da Itália.   

Em agosto passado, por exemplo, criticou publicamente o desalojamento de imigrantes em uma praça de Roma pela gestão de Virginia Raggi (M5S), enquanto Di Maio defendia a prefeita.   

Governo - Com a definição do comando do Parlamento, os partidos italianos se concentrarão agora nas negociações para formar um novo governo. Apesar do acordo entre M5S e direita para eleger Casellati e Fico, ainda não há indícios de que esse pacto se manterá para definir o próximo primeiro-ministro.   

O principal postulante ao cargo é Di Maio, 31, que reivindica a vitória nas eleições de 4 de março, quando seu movimento recebeu 32% dos votos. A aliança conservadora teve 37% e, assim como o M5S, não tem os números necessários para governar sozinha.   

A hipótese de um gabinete entre M5S é direita é improvável pois, neste caso, a legenda antissistema teria de governar ao lado de Berlusconi, a quem sempre criticou. No entanto, não se exclui a possibilidade de uma aliança apenas com a Liga Norte, de Matteo Salvini. (ANSA)
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