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Após um mês, Itália ainda não conhece seu próximo governo

05/04/2018 21h16

ROMA, 05 ABR (ANSA) - Passado um mês das eleições legislativas de 4 de março, os mais de 60 milhões de italianos ainda não sabem quem será seu próximo primeiro-ministro.   

A primeira rodada de consultas com o presidente da República, Sergio Mattarella, terminou nesta quinta-feira (5), sem nenhum indício de acordo entre as três forças que controlam o Parlamento.   

O Movimento 5 Estrelas (M5S), que possui 34% das cadeiras no Senado e 35% na Câmara, se tornou o partido mais votado do país combatendo o sistema e a política tradicional, mas agora precisa apelar a velhos inimigos para conseguir chegar ao poder.   

De um lado, o líder do M5S, Luigi Di Maio, tenta tirar a ultranacionalista Liga Norte, que tem cerca de 19% do Parlamento, da coalizão conservadora que venceu as eleições, mas sem garantir maioria; de outro, tenta atrair o social-democrata Partido Democrático (PD), ou ao menos parte de seus senadores (16%) e deputados (17%).   

No entanto, Di Maio sequer cogita governar ao lado do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, aliado da Liga, ou do também ex-premier Matteo Renzi, secretário do PD até pouco tempo atrás e líder de uma corrente importante dentro da legenda.   

"Agora devemos encontrar uma solução para o país, sozinhos não podemos governar", reconheceu Di Maio, declarando, no entanto, que não é possível fazer um governo de "mudança" ao lado de Berlusconi. "Não é uma questão pessoal", disse.   

Na prática, o líder do M5S tenta pressionar Matteo Salvini, secretário da Liga, a tirar seu partido da aliança conservadora para formar um gabinete com as forças antissistema. Para isso, contudo, o ultranacionalista teria de abrir mão da cadeira de primeiro-ministro.   

Até o momento, Salvini vem negociando no âmbito da aliança de direita, que tem 42% do Parlamento e tenta levá-lo ao comando do governo. Por conta disso, Di Maio mantém as portas abertas ao PD, tentando apelar ao presidente Mattarella para aumentar a pressão sobre o partido centro-esquerdista.   

Comandado interinamente pelo ex-ministro de Políticas Agrícolas Maurizio Martina, o PD garante que ficará na oposição, mas a legenda é formada por diferentes correntes que poderiam se separar de uma hora para outra. Algumas delas, como a "AreaDem", a maior de todas, foram cortejadas por Di Maio nos últimos dias.   

O M5S poderia dividir o PD e obter os votos restantes com legendas menores ou que representam as minorias linguísticas, garantindo maioria no Parlamento, ainda que estreita. Na outra frente, o movimento já prometeu até adotar uma postura "não hostil" em relação a Berlusconi, mas sem lhe dar cargos no governo.   

O fato é que, até o momento, não há nenhuma possibilidade de acordo no horizonte, o que fez Mattarella convocar os partidos a uma nova rodada de consultas, na semana que vem. Se o impasse persistir, o presidente pode ser forçado a convocar eleições novamente. (ANSA)
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