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Rio é 'exuberância', diz ex-diretor do Carnaval de Veneza(2)

10/04/2018 11h29

SÃO PAULO, 10 ABR (ANSA) - ANSA: Você acha que essa situação reflete o momento atual da sociedade e da política italiana? Rampello: Absolutamente. Hoje há muita vivacidade em determinados setores. As empresas de design são uma grandíssima realidade, bem como a manufatura ligada à moda é extraordinária.   


Se eu penso nas joias italianas, nas bolsas, nos sapatos, tecidos, óculos, a Itália é líder de mercado em todos esses setores. Essa é a parte criativa "saudável". Outro setor que está se desenvolvendo é o agroalimentar. Iniciativas como "Slow Food" ou empresas como "Eataly", o fato de termos tido uma exposição universal dedicada à comida [Expo Milão 2015], tudo isso é fortemente valorizado. Essas são as artes formidáveis hoje na Itália. Mas o cinema não é uma arte que hoje... A literatura, muito frágil. Talvez a poesia, mas a poesia é muito esquecida na Itália, o que é um sinal de grande incivilidade.   


Mas temos uma grandíssima cultura musical e teatral. Os teatros italianos são fantásticos. Cada cidade tem um teatro.   


ANSA: Qual cidade, na sua visão, representa as qualidades da produção italiana atualmente? Rampello: Milão representa muito bem o que pode ser o melhor da Itália, porque hoje é uma cidade que exprime energia e contínua mudança. Foi sempre uma bela cidade. Uma cidade tão pequena, com 1,3 milhão de habitantes, tem nove universidades, 220 mil estudantes, a maior concentração de editoras, milhares de pessoas que dialogam diariamente com cientistas, articulistas, e todo o mundo do design, da moda, da comida e das compras. O Salão do Móvel é, ainda hoje, o mais importante evento cultural do país, da Europa, muito mais que a Bienal de Veneza, pois traz inovações de materiais, de técnicas, de processos, de projetos.   


É construção de imaginário, mas também é comércio. Em uma semana, quase 400 mil pessoas se reúnem em Milão, isso é um dado formidável.   


ANSA: Com relação ao Brasil, do que você gosta da nossa arte? Rampello: Sou muito fascinado por esse milagre da criação no meio do nada de Brasília, mas com formas puríssimas que, ainda hoje, são absolutamente vivas. E eu estive no Masp [em São Paulo] ontem e devo dizer que essa arquitetura tão brutalista é um pouco ignorada, dessa mulher extraordinária, Lina Bo Bardi, não suficientemente conhecida na Itália. Me marcou muito. No sentido geral, tenho algo que sempre levei comigo sobre o Brasil, que é, de um lado, uma grande inocência, mas também uma grande imaturidade - e isso conservamos dos indígenas. E a imaturidade leva ao esquecimento e até mesmo à violência. Se você é imaturo, não compreende. (ANSA)
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