Zuckerberg admite erros e promete proteger eleição no Brasil

WASHINGTON, 10 ABR (ANSA) - Mostrando um evidente desconforto em suas feições, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, testemunhou nesta terça-feira (10) em uma sessão conjunta das comissões de Justiça e Comércio dos Estados Unidos e voltou a se desculpar pelo caso Cambridge Analytica.   

A consultoria política utilizou os dados de milhões de usuários da rede social para fins eleitorais, após tê-los obtido ilegalmente por meio de um aplicativo criado pelo acadêmico Aleksandr Kogan, que tinha autorização do Facebook para empregar a ferramenta, mas não para repassar as informações a terceiros.   

O depoimento em si não trouxe muitas novidades. Zuckerberg manteve o que já dissera nas últimas semanas: que a violação dos dados dos usuários foi um erro seu, que a empresa está investigando outras possíveis irregularidades e procurando maneiras de informar melhor as pessoas sobre a política de privacidade.   

Quando questionado sobre dados precisos ou informações mais específicas, dizia que sua equipe iria entrar em contato com os parlamentares. "Foi claramente um erro", declarou o CEO do Facebook sobre ter confiado na Cambridge Analytica quando a consultoria afirmou que havia parado de utilizar dados de forma irregular. "Não devíamos ter confiado apenas em sua palavra", disse.   

Zuckerberg também reconheceu que sua empresa "não fez o suficiente" para evitar que os instrumentos permitidos na rede social fossem "mal utilizados". "Foi um grande erro, e foi um erro meu, peço desculpas", acrescentou.   

O fundador da rede social ainda negou que funcionários seus tenham trabalhado em conjunto com a Cambridge Analytica, contratada pela campanha do presidente Donald Trump em 2016, mas contou que Robert Mueller, procurador especial do "caso Rússia", ouviu empregados do Facebook.   

Esse foi o primeiro dia da maratona de Zuckerberg, 33 anos, no Congresso dos EUA. Nesta quarta (11), ele será ouvido na Câmara dos Representantes, quando também dará explicações sobre o uso de sua empresa para interferir em eleições. Nesta terça, Zuckerberg reconheceu que demorou a perceber o problema.   

Além disso, prometeu "fazer de tudo" para garantir a integridade de eleições em países como Brasil e Índia, que irão às urnas em 2018, assim como os EUA, que renovarão parte do Congresso em novembro. O próprio Facebook estima que o escândalo Cambridge Analytica possa ter atingido até 87 milhões de usuários, sendo cerca de 443 mil no Brasil. (ANSA)
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