Papa admite 'erro de avaliação' sobre pedofilia no Chile

CIDADE DO VATICANO, 11 ABR (ANSA) - O papa Francisco admitiu nesta quarta-feira (11) que cometeu "graves erros de avaliação e percepção" sobre as denúncias de pedofilia no Chile, que atingem um bispo defendido por ele publicamente durante sua visita ao país latino, em janeiro.   

As declarações estão em uma carta escrita aos bispos chilenos, após o líder da Igreja Católica ter lido as conclusões do relatório feito pelo arcebispo de Malta, monsenhor Charles Scicluna, enviado ao país para "aprofundar" as investigações sobre o chamado "caso Barros".   

Bispo de Osorno, Juan de la Cruz Barros Madrid, 61 anos, é acusado de acobertar casos de pedofilia envolvendo o padre Fernando Karadima, 87. Em sua visita ao Chile, o Papa chegou a dizer que as denúncias contra Barros eram "calúnias", o que provocou a ira das vítimas.   

"No que me toca, reconheço, e assim quero que o transmitam fielmente, que caí em graves erros de avaliação e percepção da situação, especialmente por falta de informação veraz e equilibrada. E desde já peço perdão a todos aqueles que ofendi e espero poder fazê-lo pessoalmente, nas próximas semanas, nas reuniões que terei com representantes das pessoas entrevistadas", escreveu Francisco.   

Scicluna viajou ao Chile em fevereiro e produziu um relatório de 2,3 mil páginas, após ter escutado o depoimento de 64 vítimas e parentes de pessoas afetadas por casos de abuso sexual contra menores de idade. Os testemunhos foram coletados em Santiago e em Nova York, nos Estados Unidos.   

"Agora, depois de uma leitura pausada das atas da dita 'missão especial', creio poder afirmar que todos os testemunhos coletados falam de modo nu e cru, sem aditivos nem adoçantes, de muitas vidas crucificadas, e confesso que isso me causa dor e vergonha", acrescentou Jorge Bergoglio, que não citou o nome de Barros em nenhum momento.   

Francisco também anunciou que tomará medidas em "curto, médio e longo prazo", para "reparar o que for possível no escândalo e restabelecer a justiça". "Quero convocá-los a Roma para dialogar sobre as conclusões da mencionada visita [de Scicluna] e minhas conclusões", declarou. A data da reunião com os bispos chilenos será definida pela Conferência Episcopal do país.   

"Quero compartilhar com vocês a convicção de que as dificuldades presentes são também uma ocasião para restabelecer a confiança na Igreja, confiança quebrada por nossos erros e pecados, e para sanar feridas que não deixam de sangrar na sociedade chilena", disse.   

Entenda - Os casos de pedofilia envolvendo Fernando Karadima começaram na década de 1980, quando Juan Barros era seminarista e homem de confiança do padre. Além disso, era secretário particular do então arcebispo de Santiago, Juan Francisco Fresno.   

Juan Carlos Cruz, vítima de Karadima, garante que Barros o viu ser abusado pelo padre. "Como se eu pudesse ter feito uma selfie enquanto Karadima abusava de mim com Barros em pé ao lado dele, vendo tudo", ironizou Cruz após as declarações do Papa no Chile de que não havia provas contra o bispo, que nega as acusações.   

Os denunciantes de Karadima ainda afirmam que Barros, no papel de secretário do arcebispo de Santiago, ignorava as acusações contra o padre. Após sua passagem pelo Chile, Francisco, que havia sido criticado até por um cardeal, o norte-americano Sean O'Malley, pediu desculpas às vítimas por suas declarações.   

(ANSA)
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