Vinitaly vira palco de embate político na Itália

VERONA, 16 ABR (ANSA) - A 52ª edição da Vinitaly, principal feira de vinhos da Itália e que acontece em Verona, além de promover uma das excelências que mais simbolizam o "made in Italy", virou palco para as principais lideranças políticas marcarem posição no impasse que impede a formação de um governo.   

A exposição começou no último domingo (15) e terminará na próxima quarta-feira (18), em meio às negociações que tentam dar à Itália um novo primeiro-ministro. O presidente Sergio Mattarella encerrou a segunda rodada de consultas na sexta passada (13) e disse que tomaria alguns dias para pensar em seu próximo passo, já que nenhum grupo mostrou capacidade para formar uma maioria Parlamentar.   

Enquanto aguardam a decisão do chefe de Estado, os dois candidatos que brigam pela cadeira de primeiro-ministro, Luigi Di Maio (M5S) e Matteo Salvini (Liga), usaram os holofotes da Vinitaly para fazer pressão sobre o adversário.   

Dono de um terço do Parlamento, o M5S tenta tirar a Liga da coalizão conservadora, que possui 42% dos assentos na Câmara e no Senado, para formar um governo antissistema, enquanto Salvini defende que o Executivo seja comandado pela direita, com apoio do movimento.   

No primeiro caso, o premier seria Di Maio; no segundo, o secretário da Liga, o que impossibilitou qualquer acordo até o momento. "Di Maio deve fazer mais", declarou Salvini no último domingo (15), oferecendo ao rival um vinho chamado "Sforzato", ou "Esforçado". "Quem está obstinado com a centro-direita prejudica o país", replicou o líder do M5S, que rejeita governar com Silvio Berlusconi, aliado de Salvini.   

"Mas o vinho é uma grande ocasião para dialogar", acrescentou Di Maio, mantendo as portas abertas para um acordo. Apesar da expectativa, os dois não conversaram durante a Vinitaly, embora tenham ficado a poucas centenas de metros um do outro.   

O líder do M5S ainda não descartou o diálogo com o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda e cujo secretário "regente", Maurizio Martina, também esteve na feira de vinhos.   

"Nossa proposta de governo vale também para o PD", reforçou Di Maio. A resposta chegou em outro tom. "Ele fala no PD para aumentar seu preço com a Liga", rebateu o líder do partido no Senado, Andrea Marcucci, aliado do ex-premier Matteo Renzi, o principal opositor a uma eventual aproximação com o M5S.   

Quem também marcou presença na Vinitaly foi o primeiro-ministro demissionário Paolo Gentiloni (PD), que pediu que os "esforços" dos últimos anos não sejam "desperdiçados" por um cenário de impasse político. "Essa Itália precisa que o trabalho feito não seja desperdiçado e prosseguir em um caminho que nos torne fortes e competitivos no mundo", declarou o premier nesta segunda (16).   

O presidente Mattarella se pronunciará sobre a crise nos próximos dias, mas, devido à falta de acordo, ele não deve nomear um primeiro-ministro com poderes plenos.   

Fala-se em um mandato "exploratório", ou seja, designar uma figura do Parlamento para tentar construir pessoalmente uma maioria, ou mesmo em um "governo do presidente", guiado por um indicado escolhido pelo chefe de Estado e com duração e escopo limitados. (ANSA)
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